O gerenciamento das embalagens de agrotóxicos no Triângulo Mineiro

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Ituiutaba recebe, dia 13 de novembro, evento da CEMIG sobre agrotóxicos. O objetivo é apresentar diagnóstico realizado e receber novas informações de produtores rurais de Ituiutaba e região.

A interação da prática dos estabelecimentos agropecuários que fazem uso de agroquímicos com o reservatório da UHE São Simão é alvo de ação da CEMIG no desenvolvimento de seu Programa de Educação Ambiental, o qual é composto por dois subprogramas intimamente relacionados a este tema: Subprograma de Recolhimento de Embalagens de Agrotóxicos e Subprograma de Fomento de Práticas Agrícolas Sustentáveis.

Nesse contexto, foi realizado diagnóstico em municípios que fazem conexão com o reservatório de São Simão, no mês de julho de 2015, sobre a situação do descarte das embalagens de agrotóxicos na região do Triângulo Mineiro.

Para o conhecimento acerca dos aspectos relacionados à aplicação e uso de agroquímicos nos municípios que circundam o reservatório, buscou-se trabalhar em duas frentes de trabalho distintas.

Uma delas foi a construção de base censitária, basicamente com dados do Censo Agropecuário, pesquisa de responsabilidade do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE; enquanto que a segunda se deu através de  entrevistas institucionais com representações do poder público e instituições sindicais relacionadas aos proprietários de terras e trabalhadores rurais.

Uma vez o diagnóstico realizado é hora de apresentar os resultados aos produtores rurais e discutir com eles o que pode ser feito, principalmente quanto à logística reversa, onde muitos se queixaram da dificuldade para destinar as embalagens de agrotóxicos devido às distâncias das propriedades em relação aos pontos de coleta.

O encontro para apresentação e discussão acontecerá no dia 13 de novembro de 2015, a partir de 08h30, na Secretaria Municipal de Agricultura localizada no Parque de Exposições JK e é destinado aos produtores rurais, agentes e gestores públicos, empresários do setor, representantes de associações representativas, professores e demais interessados.

Esse evento será apenas um primeiro passo para que no ano de 2016 a CEMIG possa dar continuidade às atividades dentro do Programa de Educação Ambiental.

Nesse sentido a Plataforma Ituiutaba Lixo Zero apoia este evento, recomenda a participação de todos os envolvidos e acredita que em conjunto teremos mais possibilidades de buscar novas soluções sobre a gestão de resíduos em propriedades rurais e que essas possam ser implantadas gerando benefícios sociais, ambientais e econômicos a todos.

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DE QUEM É A CULPA DA CRISE HÍDRICA ATUAL ? POR GUILHERME GARCIA DA SILVEIRA

Como se não bastasse o calor que tem feito nestes últimos tempos, ainda aparece esta notícia repentina de racionamento de água!
                Mas, afinal de contas, a culpa é de quem?
                Nosso sistema de produção é variado, mas é quase todo pautado no agronegócio que consome mais de 60% do total de água utilizada em nosso dia a dia. Como este setor exige grandes áreas de plantio e manejo, o avanço sobre as florestas e o Cerrado tornou-se tão intenso que não poupou mata ciliar, veredas, fragmentos florestais e, principalmente, as nascentes.
                A falência de nossa cidadania é tão notória que a maioria de nós nem sabe que em nossa Constituição Federal, artigo 225 está escrito: ” Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao PODER PÚBLICO e à COLETIVIDADE o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações
                O que temos feito da nossa parte em relação ao meio ambiente?
                A falsa noção de que água nasce da torneira e some como mágica quando passa pelos ralos e descargas tem que terminar urgentemente. Estiagem severa não é um problema restrito ao Nordeste brasileiro. Ela nos encontrou e vai, cada vez mais, mostrar sua verdadeira face, aceitemos ou não, nos forçando a uma mudança de paradigma que será bastante dolorosa no início.
                Nosso comportamento individualista contribuiu para que ignorássemos o que acontece na zona rural com as matas e cursos d’água, no terreno baldio em que se joga “lixo” e carcaças de animais, no uso abusivo de água potável para lavar chão e nas perdas nos sistemas de distribuição que, em Ituiutaba, se aproxima de 30%. Apenas nos interessamos pela gestão pública quando tem espetáculo nas redes sociais ou na Câmara, sem jamais propormos algo que beneficie o município. E assim ficamos nesta vida utópica de que a culpa e os deveres são do poder público ou das outras pessoas e nos esquecemos que somos parte desta engrenagem que, para funcionar direito, tem que ter o lubrificante da cidadania, exercida em seu grau mais simples que é cumprir o que nos compete individualmente. Isto inicia-se no simples ato de se evitar jogar um simples papel no chão ou não lavar calçada com água e vai até em nossas obrigações básicas como conhecer as leis federais, estaduais e municipais, para cumpri-las. Mas não, temos ficado em nossas casas, em nossa zona de conforto, gastando água como se esta fosse infinita e apontando o dedo para o próximo nos esquecendo da torneira que deixamos aberta durante a escovação dos dentes, lavação do carro ou no banho demorado que levou para o ralo até nossas preocupações diárias, como se estas não fossem retornar ao abrirmos a torneira e não vermos nenhuma gota por causa do racionamento.
                Não nos preocupamos com nossos córregos ou rios pois sempre achamos que a responsabilidade é do produtor rural ou do município vizinho e nos esquecemos que cursos d’água ultrapassam fronteiras municipais, estaduais, federais e internacionais. Água é responsabilidade de todos. O rio Tijuco e o São Lourenço são um exemplo disto, o primeiro nasce no município de Uberaba e o segundo no Prata. Nunca houve interlocução entre estes municípios e poucos foram os programas de recomposição vegetal e, a cada dia, perdem-se mais árvores e nascentes.
                Se não mudarmos nossos hábitos, dificilmente teremos um futuro decente pois estima-se que os períodos de estiagem sejam cada vez mais severos. Somando-se ao fato que devastamos o Cerrado e exterminamos as veredas que são áreas de recarga hídrica, não teremos um bom horizonte. Não adiantará levantar as mãos aos céus e rogar por piedade ou chuva. Não fizemos nossa parte e apenas colhemos o que (não) plantamos.
                Faz-se necessária a implementação de políticas sérias e perenes em Educação Ambiental que deve se iniciar no período pré escolar, incorporando práticas de sustentabilidade.
                Se o poder público não se interessa por assuntos voltados ao meio ambiente, teremos que assumir nossa parte da culpa pois os políticos saem de dentro de nossas famílias com todos os defeitos e virtudes. Nossos representantes nos espelham.
                As discussões sobre nosso desenvolvimento tem que ser pautadas sob o manto da transparência e sustentabilidade ambiental em todas as esferas da sociedade: escolas, empresas, comércio, Sindicato Rural, SAE, poder público, Câmara de Vereadores, associações diversas, dentro de nossos lares e até na conversa na praça ou calçada.
                Inevitavelmente teremos que fazer recomposição vegetal de nossos rios, especialmente o São Lourenço e isto é um processo de longo prazo onde os frutos serão colhidos pelos nossos filhos ou netos, mas é necessário que o façamos o quanto antes.
                Apontar um culpado pela crise hídrica e os desajustes ambientais que estão acontecendo é apontar para nós mesmos, pois não temos assumido nossa parcela de responsabilidade nos esquecendo de que temos direitos mas, sobretudo, temos DEVERES.
Foto Guilherme - CNSH (1)
*Guilherme Garcia da Silveira é professor universitário. FACIP/UFU.