Uma manhã de Capoeira e Sustentabilidade.

Como é gostoso ver uma educação bem feita e de qualidade!

Foi aceitando o convite da Professora de capoeira, Borboleta, que fui conhecer a ONG Lar Espírita Maria Lobato de Freitas, no bairro Parque São Jorge, em Uberlândia, Minas Gerais. Onde fui recebido com o carinho e o respeito que todo educador busca.

No primeiro momento, houve uma aula de capoeira, a professora Borboleta ensinava o valor do companheirismo na arte. Com muita firmeza, prendia a atenção dos alunos sentados na roda enquanto contava suas histórias.

Fomos dar uma volta pela ONG onde ela me mostrava tudo, o caminho pelo jardim feito de pet, a sala nova em octógono recém construída, o pé de maga, as hortaliças, as bananas e lá no fundo, uma incrível estufa onde produzem verduras hidropônicas. Isso mesmo! Tudo lindo e funcionando direitinho. Tem o ateliê de arte, pintura e artesanatos. Há também um ateliê de costuras, onde as moças e senhoras costuram enxovais de bebês para doação. Tem também uma sala cheia de roupas para o bazar.

Sem muita demora veio o almoço e todas as crianças se serviram e sentaram juntas. Os grupos, são 3 e estão divididos por idade, porém são livres para trocarem de grupo se necessitar.

Almoçamos e durante de muita prosa boa a professora Borboleta ia me mostrando a redação que ela tinha pedido na semana anterior para os seus alunos e alunas. Nela, a professora pediu apenas que  escrevessem o que a capoeira representava em suas vidas. Impressionada com o resultado, Borboleta lia as redações e palavras como: amizade, amor, companheirismo, respeito, valor próprio, valor à vida e segurança, apareceram aos montes junto com desenhos.

Chegaram então os/as estudantes do turno da tarde e logo no primeiro horário, fizemos uma roda com todo mundo, incluindo as outras educadoras. Borboleta me apresentou como seu amigo e aluno de capoeira e logo em seguida comecei a contar um pouco da minha viagem de mochilão pelo Brasil.

Não demorou muito, após eu ter contado que tinha vendido tudo pra viajar, uma mocinha levantou a mão e perguntou.

– Como é que você consegue viver sem televisão?

Rimos todos e é claro que caí na risada também (para não chorar). E respondi da melhor maneira que eu consegui no momento, contei pra ela que a televisão não faz falta quando a gente tem um mundo pra assistir.

Respondida todas as perguntas, “borá pro jogo” (de capoeira)! Joguei algumas vezes até cansar.

A partir daí me despedi de todos. Foram para o segundo horário e fui conversar com a Coordenadora Silene.

Adorei a visita e espero um dia voltar novamente.

 

A Sustentabilidade

Mesmo com toda essa estrutura, o que mais me chamou a atenção foi o projeto interno mais simples que eles executam: o Projeto Reclicou Ganhou.

É muito simples. Os estudantes trazem os determinados recicláveis que a ONG recebe e trocam pelos “chequinhos”, que é a moeda de troca criada por eles, para que possam usá-las na feirinha realizada pela própria ONG, que acontece a cada bimestre.

Show de Bola ! Não é mesmo?

A criançada traz pra escola latinha, garrafa pet, papel e vidro e elas mesmo contam tudo, separam nos respectivos coletores e anotam para que, no fim do mês, ganharem esse “chequinho” impresso com um valor determinado da sua “venda” de reciclável. Cada criança sabe, na ponta da língua, o valor de cada embalagem que eles trazem ali.

– Arueira, eles chegam a pegar o resíduo que fica nas lixeiras das ruas para trazer para escola.

Disse Borboleta, dando risadas da situação.

“O próximo passo, vai ser incluir esse momento de contabilizar o valor, nas aulas de matemática”. Disse a coordenadora pedagógica da ONG. Eles ainda não fizeram isso por falta de profissional para o ensino de exatas.

Então a cada dois meses as crianças têm um valor pra gastar na feira da ONG?

Isso mesmo! E é no momento da feira que a educação financeira entra em ação. É na hora de comprar que as educadoras(es) ajudam e aconselham cada criança com o seu dinheiro (“chequinhos”). Educam não só a somar ou subtrair, mas também a eleger o que eles/elas juntos com suas famílias mais necessitam naquele momento de escolha. Assim todo mundo sai ganhando.

E o que é vendido nessa feirinha?

A feirinha que de “inha” não tem nada, é ampla. Roupas, brinquedos muitos, jogos de tabuleiros, brinquedos antigos e modernos, os artesanatos produzidos nas aulas, os alimentos que vem da horta: verduras e frutas, as roupas e por aí vai. Eles não param de criar.

Muito massa! Com uma ideia simples, com muita articulação e trabalho em equipe, a ONG Lar espírita Maria Lobato de Freitas está fazendo um excelente trabalho de educação com as crianças. O projeto envolve não só a abordagem ambiental como instigam nas crianças o poder de transformar a realidade em que vivem. Tudo baseado na autonomia e cidadania. Abordam questões ambientais reais e urgentes, inovam a maneira de gerar renda e se aproximam mais ainda de um desenvolvimento pleno e sustentável.

Guilherme Arueira.

 

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s