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CIDES ENTREGA PLANOS DE SANEAMENTO BÁSICO E DE GESTÃO INTEGRADA DE RESÍDUOS SÓLIDOS A MUNICÍPIOS QUE FAZEM PARTE DO CBH PN3

Lancamento PIMGIRS- CIDES 2015

CIDES logo

Por Ana Cristina Marquez*

O Consórcio Público Intermunicipal de Desenvolvimento Sustentável do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, CIDES em parceria com o Instituto de Geografia da UFU, a Fundação de Apoio aos Universitários, FAU, e a Universidade Federal de Uberlândia, farão amanhã(16/06), a entrega dos Planos de Saneamento e de Gestão de Resíduos Sólidos a sete municípios do Cides, são eles:

– Ituiutaba;

– Centralina;

– Prata;

– Monte Alegre;

– Canapólis;

– Araporã;

– Gurinhata.

Sendo que destes, apenas Ituiutaba receberá só o de Resíduos por já possuir o de Saneamento.

O trabalho foi elaborado sob a coordenação dos doutores da UFU, Dra. Angela Maria Soares e Dr. Amilton Diniz e Souzacom a colaboração dos professores do Instituto Federal do Triângulo Mineiro, IFTM e Universidade Federal do Triângulo Mineiro, UFTM.

A entrega do plano será amanhã, 16 de junho, na sede da Amvap , onde está instalado o CIDES, na av Antônio Thomaz de Rezende, 3180 Distrito industrial

*Ana Cristina Marquez,  Jornalista,  (34) 8833.7200 (OI) (34) 9650.4729 (CTBC)

Resíduo é recurso

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Quando pensamos em lixo ainda temos a imagem de um monte de coisas, de diferentes naturezas, misturado e sujo. Essa ideia faz parte do in-consciente coletivo e vem sendo construída há centenas de anos. No entanto, a produção de lixo nas últimas décadas vem aumentando consideravelmente em todo o mundo e isso é cada vez mais preocupante.

No Brasil, em 2010, o crescimento da produção de lixo foi seis vezes maior que o crescimento da população. Infelizmente a evolução da coleta seletiva não acompanha esses índices e, no mesmo ano, cresceu apenas 1,6% colaborando para que 40% do total do lixo produzido no Brasil tivesse destinação incorreta, ou seja, lixões, beiras de rios e córregos, queimadas, enfim, fazendo com que muitas toneladas de recursos fossem desconsideradas da cadeia produtiva brasileira.

Esse comportamento nos traz a reflexão de onde e como podemos ser melhores. O que devemos aprender para sermos capazes de reverter essas perdas econômicas e também ambientais.

Inevitavelmente ainda estamos pensando em lixo da maneira como fomos “habituados”. Porque ainda nos rendemos a esse modelo de descarte inconsciente e inconsequente. Fatalmente porque ainda não temos estrutura e condições propostas pelo poder público para que a gestão do lixo seja mais eficiente e visualize o “lixo” como recurso e não apenas despesas.

Nesse sentido, por mais que a lei estabeleça o princípio de responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida do produto, e aí ela considera como responsáveis pelo “lixo” as prefeituras, empresas e a população, a responsabilidade de proporcionar a melhor gestão do lixo é da prefeitura de uma cidade. É ela que deve promover toda a discussão, articulação, educação/conscientização e ações práticas para a coisa.

Mudanças à vista

Enquanto alguns continuam estagnados nos mesmos padrões de desenvolvimento, outros se antecipam às exigências de mercado e oportunidades de negócios.

É esse o exemplo de algumas empresas e indústrias de diferentes segmentos que vem reduzindo custos e ampliando a margem de lucro quando começam a pensar de maneira diferente a gestão dos resíduos de suas atividades e o setor da construção civil é um belo exemplo disso.

RCD reciclado

A correta destinação dos RCDs, como são chamados os Resíduos de Construção e Demolição, tem um custo alto no valor final da obra e há mais de dez anos a resolução do Conama nº 307/2002 estabelece diretrizes, critérios e procedimentos para a gestão dos resíduos da construção civil.

Em São Paulo a capacidade instalada da indústria da reciclagem gira em torno de 80 mil/tons mês, todavia só produz 25% desse total. Em Ituiutaba ainda não temos usina de reciclagem de RCD.

Cada subproduto dos RCD possuem características distintas e usos recomendados. Por exemplo, a Brita Reciclada pode ser usada para fabricação de concretos não estruturais e drenagens enquanto que a Brita 4 é recomendada para terraplanagens, drenagens e aterros, e assim por diante com Pedrisco Reciclado e Bica Corrida e outros.

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Oportunidades em casa

Ao tempo em que o município de Ituiutaba vive em plena expansão urbana imobiliária – mais de oito mil casas já foram construídas e entregues pelo programa federal de habitação Minha Casa Minha Vida, além dos bairros residenciais particulares e o setor industrial que é o alvo de interesse de desenvolvimento da prefeitura – os RCDs são encaminhados para o aterro sanitário municipal que não tem licença para o recebimento de tais resíduos.

Considerando a oportunidade econômica como parte do desenvolvimento de um município, a reciclagem de RESÍDUOS DE CONSTRUÇÃO CIVIL em Ituiutaba é um dos pontos da gestão integrada dos resíduos sólidos do município que deve ser fortemente trabalhado. Uma indústria de reciclagem de RCD gera emprego e renda, desenvolvimento econômico e por consequência preservação ambiental.

Ao passo que os resíduos podem ser transformado em outros materiais ou substâncias que supram diferentes necessidades e reintegrem a cadeia produtiva gerando riquezas econômicas, sociais e ambientais nos certificamos que a característica fundamental dos RESÍDUOS é que ele é RECURSO.

Abaixo alguns exemplos de reciclagem de resíduos de construção civil e demolição.

Exemplo de Reciclagem de Entulho

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Encontros decisivos para uma grande mudança nos nossos hábitos – Metade do problema pode virar adubo

 Na última segunda-feira, dia 09 de fevereiro, a Secretaria Municipal de Educação de Ituiutaba foi palco da 3º audiência pública municipal para o Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos (PMGIRS).

Basicamente esse encontro teve como objetivo apresentar os estudos da equipe da UFU referentes à elaboração do PMGIRS, partindo da construção de um aterro sanitário que atenda os sete municípios que compõem o consórcio intermunicipal, a saber: Ituiutaba, Gurinhatã, Prata, Monte Alegre, Canápolis, Centralina e Araporã.

Levando em consideração a exigência legal (PNRS 12.305/10) que o aterro sanitário deve receber somente rejeitos a equipe da UFU, liderada pela geóloga e professora Maria Ângela Freitas, apresentou três cenários para a construção e gestão consorciada de um ou mais aterros sanitários para as sete cidades.

 

Primeiro Cenário:

O primeiro cenário contempla a construção de um único aterro sanitário próximo ao Trevão, que receberia os rejeitos dos sete municípios participantes do consórcio intermunicipal.

 

Segundo cenário:

O segundo cenário contempla a construção de dois aterros sanitários. Um deles construído em Ituiutaba, próximo ao Posto Décio, saída para Santa Vitória, que atenderia Ituiutaba e Gurinhatã. E o outro construído próximo ao Trevão que atenderia as demais cidades: Prata, Monte Alegre, Canápolis, Centralina e Araporã.

A gestão desses dois aterros não seria individual ou realizada apenas pelas cidades beneficiadas, mas sim pelo consórcio público representado pelas sete cidades.

 

Terceiro Cenário:

Já no terceiro cenário, são contemplados três aterros sanitários. Nesse caso, um aterro em Ituiutaba que atenderia as cidades de Ituiutaba e Gurinhatã. Um segundo aterro para os municípios de Centralina, Canápolis, Araporã e Monte Alegre. E finalmente um terceiro aterro que seria reservado para o município do Prata apenas.

 

Gestão Consorciada

Nessa perspectiva consorciada, independente do número de aterros, deve-se lembrar de que a gestão deverá ser feita também de forma consorciada e compartilhada. Assim, a equipe da UFU considerou fortemente, durante a construção dos cenários, tanto a composição gravimétrica, ou seja, o volume e os tipos de resíduos dos municípios participantes como também custos de logística e gestão dos aterros.

A Prefeitura de Ituiutaba se posicionou a favor do segundo cenário. No entanto, os outros municípios receberão a equipe da professora Ângela ainda essa semana,na ocasião das audiências públicas agendadas e ao fim desse processo, previsto para o mês de maio desse ano, os prefeitos dos municípios consorciados tomarão a decisão final de qual cenário os sete municípios consorciados trabalharão durante os próximos 20 anos.

 

Educação Ambiental e Mudança de Hábitos

O que vale ressaltar é que independente da decisão tomada pelos prefeitos, todos esses feitos devem ser acompanhados de inúmeras ações de educação ambiental em diversos níveis e âmbitos da sociedade.

Para termos uma ideia do trabalho e da mudança a ser realizada por nós, cidadãos, a composição gravimétrica dos resíduos de Ituiutaba foi apresentada. Composição gravimétrica nada mais é que o volume do “lixo” e, do quê ele é composto, visto que todos os resíduos estão misturados.

Em Ituiutaba nós produzimos diariamente 70 toneladas. Dessas, aproximadamente 22 toneladas são materiais recicláveis tais como plástico, vidro, papel e papelão, alumínio, entre outros.  Os rejeitos, ou seja, o que não é passível de reaproveitamento tais como papel higiênico, algodão e cotonete usado, plástico filme sujo de comida, bandeijinha de isopor de frios, entre outros figuram com 19 toneladas. Já os resíduos orgânicos seguem a média nacional de quase 50% dos resíduos gerados e, aqui em Ituiutaba, das 70 ton/dia eles aparecem como 35 toneladas diárias de matéria orgânica, sendo levadas ao aterro sanitário, enterradas, causando graves danos ambientais e deixando de gerar riqueza.

Diferença entre REJEITOS X RESÍDUOS SÓLIDOS

Art3º PNRS (12.305/10):  ….definições

XV – rejeitos: resíduos sólidos que, depois de esgotadas todas as possibilidades de tratamento e recuperação por processos tecnológicos disponíveis e economicamente viáveis, não apresentem outra possibilidade que não a disposição final ambientalmente adequada;

XVI – resíduos sólidos: material, substância, objeto ou bem descartado resultante de atividades humanas em sociedade, a cuja destinação final se procede, se propõe proceder ou se está obrigado a proceder, nos estados sólido ou semissólido, bem como gases contidos em recipientes e líquidos cujas particularidades tornem inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou em corpos d’água, ou exijam para isso soluções técnica ou economicamente inviáveis em face da melhor tecnologia disponível;

PNRS (12.305/10): Política Nacional de Resíduos Sólidos, Lei 12.305 de 02/08/2010

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/lei/l12305.htm

 

 

 

A compostagem, ou seja, a transformação da matéria orgânica em adubo é altamente recomendada. Sendo ela incentivada e orientada em Ituiutaba, a sociedade Ituiutabana caminha para um status de sociedade lixo zero e resolve metade do problema, problema esse que pesa 70 toneladas por dia.

Aterro Sanitário: conheça o de Ituiutaba

O Aterro Sanitário é o local adequado para destinarmos a parte dos resíduos que não tem utilidade, os rejeitos. O aterro sanitário possui técnicas de segurança que protegem o solo, o lençol freático e a atmosfera. Por meio de medidas que visam impermeabilizar o solo, coletar o chorume (líquido do lixo) e captar o gás metano (o mais poluente dos gases efeito estufa) o aterro sanitário é a única forma admitida pela Política Nacional de Resíduos Sólidos PNRS (12.305/10) para a destinação dos rejeitos.

AterroSanitário Polita Goncalves

Aterro sanitário de Ituiutaba

Ituiutaba possui um aterro sanitário desde 2004. Construído seis anos antes da sanção da PNRS seu projeto contemplou as exigências legais. O projeto dispõe de espaço para compostagem de resíduos orgânicos, para trituração de resíduos de construção, conta com instalações para a coleta de chorume, e galpão para armazenamento temporário de resíduos especiais. Ele conta ainda com um prédio para abrigar o centro de pesquisa e a administração, além de ser todo cercado evitando a presença de pessoas e de animais, garantindo a contenção de resíduos que podem ser deslocados com o vento principalmente as sacolinhas plásticas de supermercado.

 

Lixo Zero e Vida útil do aterro sanitário

O aumento da vida útil de um aterro sanitário deve ser controlada com a seguinte conta: quanto mais integrada for a gestão dos resíduos menor será o volume de resíduos enviados ao aterro sanitário, aumentando assim sua vida útil.

O conceito “lixo zero” utiliza-se de tecnologias, programas e processos que permitam buscar ao longo do tempo a META DA NÃO UTILIZAÇÃO DO ATERRO SANITÁRIO como elemento de destinação final dos resíduos sólidos urbanos.

Como exemplo de município “lixo zero” temos Capannori, na Itália; e de empresa “lixo zero”, a Whirlpool. Ambas priorizaram outras formas de destinação de resíduos como reaproveitamento, reuso, reciclagem minimizando ao máximo o uso do aterro sanitário.

 

Fontes:

http://www.whirlpool.com.br/2013/01/whirlpool-reduz-o-envio-de-residuos-para-aterros/

http://www.jornaldopontal.com.br/index.php?ac=news&id=11465

http://www.lixo.com.br/content/view/144/251/

Programa Ituiutaba Recicla