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EDITAL DE CONVOCAÇÃO PARA ASSEMBLEIA GERAL DE CONSTITUIÇÃO DE ASSOCIAÇÃO

 LOGOPILZ

EDITAL DE CONVOCAÇÃO PARA ASSEMBLEIA GERAL DE CONSTITUIÇÃO DE ASSOCIAÇÃO, APROVAÇÃO DE ESTATUTO E ELEIÇÃO DA PRIMEIRA DIRETORIA A SER REALIZADA EM ITUIUTABA – MG, DIA 08 DE SETEMBRO DE 2016, NO CONSERVATÓRIO ESTADUAL DE MÚSICA DR. JOSÉ ZÓCCOLI DE ANDRADE

 A Plataforma Ituiutaba Lixo Zero através de sua coordenadora Alice Marquez Peres Drummond, e, demais membros da sociedade civil convidam e convocam toda população de Ituiutaba-MG para Assembleia Geral de constituição de associação de pessoas para formação de ONG, com o escopo nas áreas de sustentabilidade e meio ambiente, gestão e gerenciamento de resíduos sólidos – redução dos resíduos, reciclagem, coleta seletiva, compostagem, novos hábitos e outros que serão apresentados a todos os presentes, no dia, local horário e termos que seguem doravante.

EDITA

Art. 1º- Ficam convocados todos os interessados, nos termos do artigo 53, “caput”, da Lei n° 10.406 de 10 de janeiro de 2002, (Código Civil Brasileiro), para a realização da Assembléia Geral de Constituição de Associação, aprovação de Estatuto e Eleição da Primeira Diretoria a realizar-se no próximo dia 08/09/2016, no Auditório do Conservatório Estadual de Música Dr. José Zóccoli de Andrade situado na Rua Benjamin Dias Barbosa, bairro Universitário, Ituiutaba – MG. A convocação dar-se-á às 18h30hs do dia mencionado, com qualquer número de pessoas onde instalar-se-á a Assembleia para deliberar sobre a seguinte ORDEM DO DIA:

01 – Constituição e criação da Associação;

02 – Apreciação e aprovação do Estatuto Social;

03 – Eleição de sua primeira Diretoria e de seu primeiro Conselho Fiscal;

04 – Posse da chapa eleita;

05 – e a definição da sede provisória.

 

Art. 2º- Os interessados em concorrer à eleição dos membros da Diretoria e Conselho Fiscal da Associação deverão compor sua Chapa e fazer a inscrição da mesma com a Comissão Organizadora Pró-Associação no momento da Assembleia Geral

Art. 3º– O presente Edital de Convocação está publicado em locais de grande circulação e nos canais da Plataforma Ituiutaba Lixo Zero, esse blog, e sua página no Facebook, a saber:

https://www.facebook.com/plataformaituiutabalixozero

 

Ituiutaba-MG, 29 de agosto de 2016.

Alice Marquez Peres Drummond

Convocante

 

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FESTIVAL ZERO WASTE FRANÇA

Entre os dias 30 de junho a 2 de julho desse ano aconteceu o Festival Zero Waste em Paris, capital da França.

O evento foi realizado pela Zero Waste France – associação sem fins lucrativos composta por uma equipe incrível de mulheres que estão revolucionando o tema na França e participando das grandes discussões promovidas pelas associações europeias e mundiais concernentes ao lixo zero, desperdício zero e resíduo zero.

 

O QUE É ZERO WASTE?

Para começar, em inglês “zero waste” significa lixo zero/ desperdício zero.

Essa tradução já nos coloca em estado de alerta e nos remete à questão: o que é desperdício que gera “lixo”?  O que você está consumindo que está indo para a sua lixeira sem ao menos ter sido bem aproveitado? Como os produtos que você consume podem ser mais eficientes em termos de embalagem? Como você pode fazer para diminuir o consumo desses produtos? O que a lei diz? O que eu devo fazer?

E quando nos damos conta disso, pasmem, vemos que tem MUITA COISA indo diretamente para a lixeira, sem ter sido ao menos bem utilizada, sobretudo alimentos em geral e embalagens.

A discussão acerca do tema é longa e complexa e para a minha sorte eu estava lá, presente junto as outras cinco mil pessoas, mais de 150 palestrantes e oficineiros franceses e internacionais,todos voluntários, e mais de 100 voluntários em três dias de evento, para que o mesmo fosse possível acontecer.

FZW - ROBERT REED, FLORE BERLINGEN E ALICE DRUMMOND
Insira uma legenda

Robert Reed da Recology (Califórnia), Flore Berlingen, Diretora da Zero Waste France e Alice Drummond da Plataforma Ituiutaba Lixo Zero e Resíduo de Valor.

 

ATIVIDADES FESTIVAL ZERO WASTE FRANCE

O Festival Zero Waste ofereceu, além do palco principal, atividades paralelas acerca de soluções para a gestão de resíduos sólidos. Oficinas práticas e testemunhos de vida LIXO ZERO EM CASA foram realizados por inúmeros integrantes de famílias (quase) lixo zero e pelas famílias lixo zero de Roubaix, norte da França.

Dezenas de histórias pessoais foram compartilhadas, tanto em conferência quanto em sessões de autógrafos, com um público bastante interessado, que aprenderam entre outras coisas a fazer o composto, reparar objetos, fabricar seus produtos cosméticos além de muitos gestos para facilitar a vida de uma forma de desperdício zero.

O evento ofereceu um espaço para a “boutique lixo zero” que, por sinal, teve também um grande sucesso graças a participação de fabricantes de sacos de pano a granel, garrafas de água, lancheiras, minhocários e composteiras, guardanapos laváveis sanitários (fraldas, guardanapos e copos menstruais), lenços e algodão reutilizável.

Que tudo! Quanto lixo evitado!

 

EMPREENDEDORES LIXO ZERO: REDUÇÃO DE RESÍDUOS

O Festival Zero Waste também ofereceu um vasta gama de soluções para empreendedores que promovem atividades para a redução dos resíduos : a luta contra o desperdício de alimentos, a separação das fontes de resíduos biológicos e compostagem/ biogás, venda a granel e definições para a redução de resíduos de embalagens, lavagem/ higienização de todos os produtos têxteis sanitários para evitar que suas versões descartáveis, reutilização, reparação e upcycling* têxteis, mobiliário, equipamentos elétricos e materiais eletrônicos.

Upcycling é o processo de transformar resíduos ou produtos inúteis e descartáveis em novos materiais ou produtos de maior valor, uso ou qualidade.

O formato variado permitiu a abordagem em diversos tópicos: oficinas de co-construção (logística urbana, aquisição e creches sem resíduos), encontros sobre “a granel” e “retornável”, sessões de 30 minutos sobre soluções para o lixo zero, financiamentos à projetos e linhas diretas sobre a legislação.

Oficinas realizadas durante os três dias de festival.

 

PIONEIROS – OS HERÓIS DO LIXO ZERO

Os pioneiros do lixo zero foram fundamentais para nos apresentar as ações que vem realizando em seus municípios. Aqui, cito alguns dos vários heróis que lá estavam, reunidos, voluntários, contando ao mundo como fizeram para se destacar num processo diferenciado, econômico e solidário: Rossano Ercolini de Capannori/Itália, Robert Reed, da Recology, empresa de coleta de resíduos em São Francisco/ Califórnia/USA, que tanto me contou sobre como engajar e transformar a população em favor do lixo zero, Alexandre Garcin de Roubaix na França que vem, desde o ano passado, capacitando famílias para que elas sejam lixo zero e obtendo resultados incríveis nas áreas de saúde, bem estar e economia financeira e por fim, Enzo Favoino, chefe do Comitê Científico da Associação Zero Waste Europe, que me recebeu e apresentou calorosamente a coleta de resíduos orgânicos em Milão, em dezembro de 2014.

FZW - HEROIS ZERO WASTE

Rossano Ercolini ( Capannori – Itália), Robert Reed ( São Francisco – Califórnia), , Alexandre Garcin (Rubaix – France), Enzo Favoino (Milão – Itália) , Gabriele Folli (Parma / Itália) e Laura Chatel (Zero Waste France)

 

E ITUIUTABA COM TUDO ISSO ?

O que me marcou mais uma vez foi a gama de possibilidades que encontramos quando revemos nossos hábitos. Hábitos esses que foram impostos por uma sociedade de consumo que prioriza o descartável e esquece do durável.

Em muitas das ações e soluções para o caminho lixo zero me reencontrei com um passado nem tão longínquo em que havia menos embalagens nos produtos, menos agrotóxicos nos alimentos e quando havia embalagem, elas eram automaticamente reaproveitadas várias vezes, passando longe da lixeira. Eu vivi essa época embora seja filha da geração descartável.

Considerar a possibilidade de uma cidade ser lixo zero é considerar o incremento de qualidade de vida da população através de emprego e geração de renda, economia financeira e de recursos públicos, proteção e respeito ao meio ambiente e transformação de valores de uma sociedade.

Foi possível constatar que o poder de mudança vem do povo e que governante bom é aquele que escuta essa voz, se posiciona, procura entender e promover o que traz benefícios. Portanto, mais uma vez, a PLATAFORMA ITUIUTABA LIXO ZERO convida todos vocês Ituiutabanos a fazer parte dessa voz: a voz que quer mais qualidade de vida, economia limpa e circular, meio ambiente protegido, inteligência nas relações e menos desperdício.

Estamos juntos! Acesse: www.plataformaituiutabalixozero.com

Confira abaixo algumas fotos do Festival Zero Waste, Junho/Julho de 2016, em Paris, França

 

Alice Drummond – mestre em governança de resíduos sólidos pela Sorbonne Paris 3, consultora em gestão de resíduos sólidos pela Resíduo de Valor e coordenadora da Plataforma Ituiutaba Lixo Zero.

 

 

7 boas razões para trocar o copo de plástico descartável por uma caneca

*Thiago Lima

 

Uma das boas ideias que pode-se adotar no dia a dia para que você tenha uma vida mais consciente e sustentável, produzindo menos lixo, é a adoção de uma caneca para não utilização de copos plásticos. Uma ideia muito simples que pode ter muito impacto, dependo de como é o seu dia a dia na empresa e fora de casa. Veja abaixo 7 motivos pelos quais você deveria trocar seu copo plástico por uma caneca.

1 – O plástico, quando descartado no meio ambiente, demora anos para se decompor, mais de 200 anos, em média, e é um grande poluidor do meio ambiente.

2 – O plástico não é biodegradável e nem sempre tem como destino a reciclagem.

3 – Para se produzir plástico, gasta-se muita energia elétrica e água, além de material.

4 – O plástico é proveniente do petróleo, recurso não renovável e que a extração demanda um grande impacto ambiental.

5 – Quando o plástico entra em contato com substâncias quentes, como líquidos quentes, no caso do copo plástico, libera substâncias que são consideradas cancerígenas.

6 – A reciclagem de copos plásticos é menos viável se comparada a uma enxaguada de uma caneca comum, por exemplo. Além de caneca, pode-se adotar também uma garrafa de água. Com uma garrafinha sempre por perto fica fácil monitorar o quanto de água se bebe todos os dias.

7 –  Na produção de copos plásticos, a participação do poliestireno descartável é mínima, portanto, todo copo “descartável” utiliza matéria prima extrativa e não sustentável.

 

É isso pessoal! Comece a andar com suas canecas e garrafas e comecem a consumir menos copos plásticos. O meio ambiente agradece.

*Thiago Lima, Tecnologia, Inovação, Educação e Empreendedorismo – É assim que mudamos o Brasil. Sou Engenheiro Eletricista, estudante de mestrado do Rochester Institute of Technology e Diretor de Marketing do site Embarcados. Faço parte da Plataforma Ituiutaba Lixo Zero onde escrevo para esse jornal regularmente.

 

 

 

Cinco passos essenciais para o bom planejamento da gestão de lixo

Que nós temos problemas, nós sabemos. Mas como solucioná-los?

A coluna da Plataforma Ituiutaba Lixo Zero dessa semana apresenta dois, dos vários, problemas que temos em Ituiutaba relacionado ao “lixo”.

O primeiro é o caso das feiras livres municipais. Identifica-se, portanto, como problema urbano, sazonal (semanal) e envolve praticamente, resíduos recicláveis e orgânicos por meio de um grupo definido de pessoas: os feirantes e os clientes.

No último sábado, dia 02 de abril, a seguidora da Plataforma Ituiutaba Lixo Zero, Regina Moura nos escreveu no Facebook:

Prometo: procurarei a Secretaria responsável e pedirei que orientem, eduquem e EXIJAM que cada feirante leve seu lixo ou coloque nos recipientes adequados para coleta adequada. Fotos feitas AGORA na Av. Jorge Jacob Yunes (Av. 1). Moro nas proximidades e todo sábado é a mesma coisa. CADA UM DESTINE de forma adequada o seu lixo !

 

Feira Itba Abril 2016
Feira Municipal da Av. Jorge Jacob Yunes (Av.1) em Ituiutaba – MG / Abril de 2016                Foto: Regina Moura

 

O segundo problema apresenta prejuízos mais severos. É o lixão a céu aberto na estrada do IFTM, onde todo tipo de material é depositado e nele, fogo é ateado. Onde pessoas passam com bebês de colo com o intuito de catar coisas que possam ser úteis. Onde o cheiro é ruim, o ambiente é feio e desagradável aos olhos e à saúde humana. Onde certamente a proliferação de animais e a contaminação do solo, água e ar acontece.

Uma lástima!

LixãoIFTM ABril2016
Lixão à céu aberto na estrada do IFTM em Ituiutaba -MG    / Abril 2016                             Foto: Artur Marquez Bernardes                                                                                                                      

Sabemos que muita coisa tem que mudar e que as mudanças podem até parecerem difíceis, mas se olharmos bem o que especialistas nos propõem, a mudança, não necessariamente, precisa ser complicada.

Segundo Antonis Mavropoulos, diretor da ISWA (Associação Internacional de Resíduos Sólidos), “90% das falhas que acontecem nos planos de gestão de lixo acontecem por falta de planejamento, por isso resolvemos focar o Manual nesta questão. Planejar é fundamental em qualquer mudança significativa que fazemos – como um casamento ou a compra de um imóvel – e não é diferente com os resíduos sólidos. Se falharmos, em 2050 vamos produzir o triplo do lixo que temos hoje no mundo”.

O manual mencionado “Manual de Boas Práticas no Planejamento para a Gestão dos Resíduos Sólidos“, foi lançado em 2013, através de uma parceria da Secretaria de Meio Ambiente do Estado de São Paulo, a Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe) e a Associação Internacional de Resíduos Sólidos (Iswa) e apresenta uma série de ações e proposições para que cada município possa planejar e organizar sua gestão de resíduos.

“Também é importante destacar que o planejamento é, apenas, uma das fases de produção de um plano de gestão de lixo. Antes dele, é preciso passar pelas fases de mobilização e status, para reunir agentes e desenhar a situação que temos, em termos de resíduos sólidos”, explicou Mavropoulos, que concluiu: “Depois do planejamento, vem as fases de implantação, monitoramento e feedback“.

 Para que os municípios brasileiros comecem a ver esses problemas com mais proximidade e com a intenção de solucioná-los é preciso que ele, enquanto responsável pela governança dos resíduos sólidos, lance mão de materiais especializados, treine e capacite agentes e gestores públicos, identifique as capacidades de cada parceiro e PLANEJE as ações, atribuindo metas e lançando mão de parcerias.

Cinco passos essenciais para o bom planejamento da gestão de lixo
– identificar os stakeholders da questão e descobrir como cada um pode contribuir; 
– avaliar o “hardware” (ou infraestrutura) da cidade, para identificar pontos fracos e fortes, que podem ajudar na nova gestão; 
– criar modelos de fluxo que mensurem, por exemplo, quanto lixo será produzido em 20 anos e a quantidade de resíduos que serão reciclados, para ajudar a traçar modelos de gestão eficientes a curto e longo prazo; 
– estimar a viabilidade do plano para a sociedade, para ter certeza de que ela será capaz de cumprir suas exigências e 
– produzir indicadores de desempenho, para poder comparar a gestão de resíduos sólidos em diferentes momentos, o que facilita o aprimoramento do plano.

Em se tratando de “lixo”, somente assim o município será capaz de apresentar as responsabilidades de cada um para que todos possam desfrutar de uma melhor qualidade de vida, com mais saúde e menos prejuízos ambientais e financeiros.

*Alice Drummond é diretora da Resíduo de Valor Consultoria e Projetos, mestre em governança de resíduos pela Sorbonne Nouvelle Paris 3.

Fontes:

  1. http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/lixo/sp-manual-cidades-planejamento-gestao-lixo-pnrs-735046.shtml
  2. http://www.abrelpe.org.br/manual_apresentacao.cfm

DE QUEM É A CULPA DA CRISE HÍDRICA ATUAL ? POR GUILHERME GARCIA DA SILVEIRA

Como se não bastasse o calor que tem feito nestes últimos tempos, ainda aparece esta notícia repentina de racionamento de água!
                Mas, afinal de contas, a culpa é de quem?
                Nosso sistema de produção é variado, mas é quase todo pautado no agronegócio que consome mais de 60% do total de água utilizada em nosso dia a dia. Como este setor exige grandes áreas de plantio e manejo, o avanço sobre as florestas e o Cerrado tornou-se tão intenso que não poupou mata ciliar, veredas, fragmentos florestais e, principalmente, as nascentes.
                A falência de nossa cidadania é tão notória que a maioria de nós nem sabe que em nossa Constituição Federal, artigo 225 está escrito: ” Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao PODER PÚBLICO e à COLETIVIDADE o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações
                O que temos feito da nossa parte em relação ao meio ambiente?
                A falsa noção de que água nasce da torneira e some como mágica quando passa pelos ralos e descargas tem que terminar urgentemente. Estiagem severa não é um problema restrito ao Nordeste brasileiro. Ela nos encontrou e vai, cada vez mais, mostrar sua verdadeira face, aceitemos ou não, nos forçando a uma mudança de paradigma que será bastante dolorosa no início.
                Nosso comportamento individualista contribuiu para que ignorássemos o que acontece na zona rural com as matas e cursos d’água, no terreno baldio em que se joga “lixo” e carcaças de animais, no uso abusivo de água potável para lavar chão e nas perdas nos sistemas de distribuição que, em Ituiutaba, se aproxima de 30%. Apenas nos interessamos pela gestão pública quando tem espetáculo nas redes sociais ou na Câmara, sem jamais propormos algo que beneficie o município. E assim ficamos nesta vida utópica de que a culpa e os deveres são do poder público ou das outras pessoas e nos esquecemos que somos parte desta engrenagem que, para funcionar direito, tem que ter o lubrificante da cidadania, exercida em seu grau mais simples que é cumprir o que nos compete individualmente. Isto inicia-se no simples ato de se evitar jogar um simples papel no chão ou não lavar calçada com água e vai até em nossas obrigações básicas como conhecer as leis federais, estaduais e municipais, para cumpri-las. Mas não, temos ficado em nossas casas, em nossa zona de conforto, gastando água como se esta fosse infinita e apontando o dedo para o próximo nos esquecendo da torneira que deixamos aberta durante a escovação dos dentes, lavação do carro ou no banho demorado que levou para o ralo até nossas preocupações diárias, como se estas não fossem retornar ao abrirmos a torneira e não vermos nenhuma gota por causa do racionamento.
                Não nos preocupamos com nossos córregos ou rios pois sempre achamos que a responsabilidade é do produtor rural ou do município vizinho e nos esquecemos que cursos d’água ultrapassam fronteiras municipais, estaduais, federais e internacionais. Água é responsabilidade de todos. O rio Tijuco e o São Lourenço são um exemplo disto, o primeiro nasce no município de Uberaba e o segundo no Prata. Nunca houve interlocução entre estes municípios e poucos foram os programas de recomposição vegetal e, a cada dia, perdem-se mais árvores e nascentes.
                Se não mudarmos nossos hábitos, dificilmente teremos um futuro decente pois estima-se que os períodos de estiagem sejam cada vez mais severos. Somando-se ao fato que devastamos o Cerrado e exterminamos as veredas que são áreas de recarga hídrica, não teremos um bom horizonte. Não adiantará levantar as mãos aos céus e rogar por piedade ou chuva. Não fizemos nossa parte e apenas colhemos o que (não) plantamos.
                Faz-se necessária a implementação de políticas sérias e perenes em Educação Ambiental que deve se iniciar no período pré escolar, incorporando práticas de sustentabilidade.
                Se o poder público não se interessa por assuntos voltados ao meio ambiente, teremos que assumir nossa parte da culpa pois os políticos saem de dentro de nossas famílias com todos os defeitos e virtudes. Nossos representantes nos espelham.
                As discussões sobre nosso desenvolvimento tem que ser pautadas sob o manto da transparência e sustentabilidade ambiental em todas as esferas da sociedade: escolas, empresas, comércio, Sindicato Rural, SAE, poder público, Câmara de Vereadores, associações diversas, dentro de nossos lares e até na conversa na praça ou calçada.
                Inevitavelmente teremos que fazer recomposição vegetal de nossos rios, especialmente o São Lourenço e isto é um processo de longo prazo onde os frutos serão colhidos pelos nossos filhos ou netos, mas é necessário que o façamos o quanto antes.
                Apontar um culpado pela crise hídrica e os desajustes ambientais que estão acontecendo é apontar para nós mesmos, pois não temos assumido nossa parcela de responsabilidade nos esquecendo de que temos direitos mas, sobretudo, temos DEVERES.
Foto Guilherme - CNSH (1)
*Guilherme Garcia da Silveira é professor universitário. FACIP/UFU.

Cinde-debate: A LEI DA ÁGUA (O Novo código Florestal)

A lei da agua

            Água é vida, mas parece que nos esquecemos disso e, diariamente, damos motivos para a realidade que nos apresenta. O Brasil é o país cujo território apresenta as maiores reservas de água doce do mundo e vivemos uma escassez hídrica absurda.

            Por quê?  Nós, cidadãos de uma cidade pequena do interior, temos responsabilidade nesse processo? Se sim, qual é a parte a qual devemos ser responsáveis? Qual o caminho que estamos tomando se considerarmos as decisões políticas em relação à água?

            Todas essas perguntas poderão ser respondidas no cine-debate A LEI DA ÁGUA, organizados pelos professores Guilherme Silveira, FACIP/UFU e Humberto Minéu , IFTM, e realizado pelo Ministério Público Estadual (6ª Promotoria de Justiça da Comarca de Ituiutaba) que convida a população de Ituiutaba para a sessão de Cine debate: A Lei da Água (Novo Código Florestal) que acontecerão nos dias, horários e locais abaixo:

25/06 (Quinta-feira) – 19h: Auditório 03 da FACIP/UFU
26/06 (Sexta-feira) – 19h: Auditório do IFTM/Campus Ituiutaba
29/06 (Segunda-feira) – 08h30: Auditório do IFTM/Campus Acii Ituiutaba

            O filme/documentário “A lei da água (Novo Código Florestal)” aborda a questão do código florestal como um problema nacional e não apenas agrícola. Apresenta a problemática desde o nosso processo de colonização, com o modelo de desenvolvimento econômico instalado, o processo de elaboração do primeiro código florestal em 1965, o desenvolvimento científico ao longo dos anos e a relação do código com a conservação ambiental, principalmente em relação à disponibilidade e qualidade de água para o consumo humano e produção.
A realização da sessão no formato de cine debate visa à socialização do conteúdo e do processo de construção e revisão da legislação, os impactos negativos e positivos, oportunizando a manifestação das diferentes visões, diante da seguinte premissa: a busca do equilíbrio entre produzir alimentos necessários para o nosso consumo e economia, aliada à conservação ambiental, proporcionando água em quantidade e qualidade para os nossos diversos usos (consumo humano, dessedentação de animais, produção de alimentos, indústria, saneamento etc.), bem como a manutenção de ambientes que proporcionem condições de manutenção da fauna.
O documentário traz ainda as diferentes visões manifestadas na revisão do código, envolvendo deputados, senadores, produtores, profissionais, sociedade civil organizada e cientistas, com a apresentação de diversos dados de pesquisas e do contexto econômico. Essas diferentes visões possibilitam compreender o processo de construção e revisão do código, com os fatores e forças que atuaram ou não para se chegar à lei atual, e os problemas decorrentes da não aplicação da legislação ao longo do tempo.
Em sentido mais amplo a relação do código florestal com a sustentabilidade ecológica e econômica dos empreendimentos e com a nossa biodiversidade, talvez a maior riqueza do nosso país.

Contamos com sua participação!

Mais informações:
Prof. Guilherme Garcia da Silveira– guilhermes@yahoo.com
Prof. Humberto Minéu – hmineu@iftm.edu.br

Ensinando e aprendendo: um relato de experiência de extensão universitária na Cooperativa de Reciclagem de Ituiutaba | por Isadora Santana*

Para começar, você meu conterrâneo Tijucano, sabe da existência da Cooperativa de Reciclagem em nossa cidade? Deve-se lembrar do sininho soando pelas ruas…

Pois é, a Cooperativa de Reciclagem é um fruto do Programa Ituiutaba Recicla, programa municipal implementado pela SAE (Serviço de Água e Esgotos) no ano 2000, quando aconteceu o nascimento da Coleta Seletiva com o intuito de destinar a menor quantidade de lixo para o Aterro Sanitário.

Além da preocupação ambiental o projeto teve como um fundamento principal a questão social, a fim de integrar ao programa pessoas que viviam da renda da venda de matérias recicláveis recolhidos no lixão e nas ruas.

No ano de 2000 os responsáveis pela Educação ambiental desenvolveram diversas ações para o esclarecimento da importância de cada cidadão no processo de conservação do meio ambiente, uma dessas ações foi uma peça Teatral, com o foco em crianças e adolescentes e acredite, eu fui um personagem. Desde aí tive experiência nesse projeto, já estava fazendo educação ambiental aos 11 anos de idade com a personagem “Maria Latinha”, peça dirigida pela professora Maísa Franco. Fizemos diversas apresentações e essa experiência ficou para sempre marcada.

O tempo passou e o projeto se consolidou. A Copercicla tem e como tem história e, nessas idas e vindas, em uma cidade pequena a gente sempre reencontra situações que nos remete a algum passado e assim eu tive a grande oportunidade de ser bolsista da Universidade Federal de Uberlândia- Campus Pontal e voltar a ter contato e experiência com a Cooperativa, com projeto: Desenvolvimento de técnicas e ferramentas pedagógicas para o desenvolvimento cognitivo de trabalhadores cooperados em Engenharia de Produção.

Orientada pelo professor Hilano José Carvalho Rocha, que desenvolveu diversos tópicos para o desenvolvimento de uma metodologia para alcançarmos nosso objetivo, que era criar melhorias nas condições de trabalho dos cooperados com a utilização de conhecimentos de Ergonomia, Segurança no trabalho, Gestão da Qualidade, Economia Solidária, Psicologia e Pedagogia.

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Mas do conteúdo tenho para contar, que é algo que molda nosso raciocínio e a nossa maneira de ver, deixa o nosso olhar menos superficial, aguça nossos sentidos, ensina através de outros experimentos, a experiência de outros que colaboram para que a nossa experiência seja positiva.

Sendo assim, a experiência real, o contato direto com o processo e as pessoas envolvidas faz com que a preparação teórica passe a ter sentido, durante os meses que estive na Copercicla tínhamos como meta implementar um sistema que melhorasse o ambiente de trabalho, visto que graças a conscientização e contribuição da população para que o “estoque” esteja sempre em níveis adequados para a seleção e o processamento, como um problema, o espaço é pequeno e é preciso certa organização, utilizamos como base para nosso projeto os 5’S da qualidade ( Senso de Saúde, Senso de Utilização, Senso de Organização, Senso de Ordenação e Auto disciplina).

Como disse, estudamos para criar meios de introduzir nossas idéias no contexto do trabalho dos cooperados, para que não fosse algo rígido e forçado e sim um aprendizado prazeroso que fosse entendido como “O melhor para eles”.

Projetamos eventos para a aplicação desses sensos, desenvolvemos palestras, jogos, selecionamos filmes, fizemos parcerias com organizações privadas e conseguimos realizar então os Eventos na Universidade, recebemos os cooperados com alegria, o melhor de tudo é a apropriação do local, de expor que a universidade é lugar deles também, como fator de motivação para os cooperados e o sonho que os filhos possam ter a oportunidade de freqüentar aquele espaço um dia.

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Graças a parceria de sempre entre os cursos Serviço Social, Pedagogia, Administração e Engenharia de Produção pudemos proporcionar momentos positivos e inesquecíveis no aprendizado.

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Portanto nesses encontros, durante as pesquisas, em reuniões, em visitas a cooperativa, que desenvolvemos o que há de melhor em nós: O prazer da cidadania, de cada um fazer a sua parte, de cada um lutar de forma digna por sua sobrevivência, por seus sonhos e por suas oportunidades, por querer um mundo melhor, um ambiente mais limpo, mais organizado, onde a população faz a sua parte na separação do material reciclável e eles desenvolvem seu grandioso trabalho para a sociedade e o planeta.

Não tive possibilidade de acompanhar o projeto até o fim, mas sei que lançamos a semente boa, sei que não foi em vão o que vivemos.

Que nós, população, tenhamos consciência do quanto a Cooperativa de Reciclagem de Ituiutaba – Copercicla é importante para o meio ambiente, o quanto contribui para a vida dos cooperados, que nós continuemos a reduzir, reutilizar, separar e reciclar nossos resíduos.

E quando ouvirem o sininho… Abram as portas de suas casas e ofereçam uma água e um cafezinho como bom mineiro!

E minha experiência?

…sinto que ainda não acabou.

Isadora Santana Perfil* Isadora Santana é estudante do 7º período de Administração na Faculdade de Ciências Integradas do Pontal- Facip/UFU.

Como ser uma pessoa lixo zero?

O Conceito lixo zero pode parecer, às vezes, muito distante de sua aplicação, contudo na maioria das vezes é muito mais próximo que imaginamos. Idealizamos uma enorme dificuldade no ato de ser uma pessoa lixo zero, não é mesmo? Mas aqui você vai conhecer quatro ações simples que te farão ver como é simples ser lixo zero.

quanto de lixo vc ja consumiu hj

O momento decisivo acontece quando começamos a pensar em REDUZIR A PRODUÇÃO DE LIXO. A importância e os desdobramentos dessa primeira ação são enormes e decisivos para o lixo zero. Um exemplo claro para a REDUÇÃO de lixo é evitar objetos que num pequeno espaço de tempo vão parar na lixeira.

ReduzirMMA

Sabe quando compramos algo que vem embrulhado e ainda dentro de uma sacola? Pois é, o embrulho e a sacola são dispensáveis. Mas já estamos tão habituados à eles que nem questionamos se deles precisamos. No entanto, se recusarmos recebê-los estaremos reduzindo a geração de lixo.

consumo_consciente

Decisão tomada, nos tornaremos mais atentos às incontáveis possibilidades de reduzir a produção de lixo e começaremos uma jornada rumo ao lixo zero.

Bom, nessa longa, mas possível, jornada, continuaremos a produzir lixo, contudo, teremos mais condições de avaliar o que está em nossas lixeiras. Veremos, todavia, que tem “lixo” de tudo e quanto é tamanho, cor, material, forma, utilidade e que, todos esses itens estão misturados. A segunda grande sacada rumo ao lixo zero é ver, nesse monte de “lixo” o que nos pode ainda ser útil de alguma forma. O que nos economizaria uma nova compra. O que poderíamos REUTILIZAR.

REDUZIR E REUTILIZAR MATERIAIS FAZ DE VOCÊ UMA PESSOA ANTENADA AO LIXO ZERO

ReutilizarMMA

O REAPROVEITAR faz parte da hierarquia lixo zero e amplia as possibilidades de reuso do objeto, pois no reaproveitamento modificamos o material de modo que ele possa ser útil em alguma outra atividade que não tenha sido a atividade fim para a qual ele foi desenhado. O REAPROVEITAR é usar a criatividade pensando nas nossas necessidades. É pensar nas possibilidades dos objetos que colocamos na lixeira.

Conhecemos muita gente que fez do “lixo” produtos super originais, alguns quebra-galhos, outros de bom gosto, e que todos eles tenham atendido uma necessidade. O reaproveitar é amplo, ele considera o “lixo” matéria prima que será usada ou transformada para a construção de algum objeto diferente.

REPENSAR, REDUZIR, REUSAR E REAPROVEITAR MATERIAIS FAZ DE VOCÊ UMA PESSOA AINDA MAIS ANTENADA AO  LIXO ZERO e te conduzirá automaticamente à RECICLAGEM.

A RECICLAGEM proporciona nova vida aos materiais recicláveis e uma embalagem tetra-pak, limpa, destinada à coleta seletiva terá como destino a fabricação de outra embalagem de tetra-pak ou não, e assim por diante.

No fim das contas, o grande lance é saber que LIXO não é mais aquilo que se amontoa, ou que se joga fora, mas aquilo que se vê valor, pois LIXO é a nova matéria prima da nossa sociedade de consumoReciclar MMA

 O poder dessas quatro ações citadas acima é ENORME, assim como as possibilidades de nos tornarmos todos Lixo Zero. Sejamos todos.

A Trilha antes da trilha – por Diogo Duarte Parra

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Ativismo Lixo Zero em Ituiutaba: a força do conhecimento aliado à prática e a marca que ele deixa.

Por Diogo Duarte Parra.

A trilha começou antes da trilha. Todos nos encontramos no campus da UFU. De lá partiria a van que nos levaria até a cachoeira da venda amarela. A professora Leda deu a primeira aula do dia, falando sobre as características geográficas da região. E a trilha se desenhava em nossas cabeças antes da trilha.

Primeira parada: ponte do rio Tijuco e ponte velha. Segunda aula da professora Leda, sobre o longo, longo tempo que o mundo precisou para construir as nossas paisagens e os nossos rios. Caminhamos, então, para as margens do rio Tijuco. Pelo caminho, sacos plásticos, garrafas, lixo em geral. Tanto, tanto tempo para a beleza se construir e nós, fácil assim, rápido assim, com nossas latas e plásticos, papéis e sapatos, comprometemos a beleza e a própria existência dessas paisagens.Bastante lixo e em pouco espaço.

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Daí veio a aula da Alice. Falou sobre o ativismo lixo zero, sobre acrescentarmos ao nosso prazer com a trilha a preocupação com a garantia da existência da própria trilha. E todos, empunhando sacos pretos, passaram a recolher o lixo que encontravam. Mas essa responsabilidade não é apenas nossa, lembrou a Alice. Hoje, a lei impõe àqueles que colocam produtos no mercado, que gerarão lixo, a obrigação de se preocupar e de criar mecanismos para que esse lixo não termine em trilhas e que tenha a destinação correta. A garrafa de coca-cola vazia é preocupação de quem a toma e também da própria empresa coca-cola.

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Sacos cheios de lixo, era hora de seguir em frente. De volta à van, pegamos a BR. Na altura da venda amarela, viramos à direta e entramos pelo canavial. Cana e mais cana. A vegetação foi mudando um pouco, se diversificando um pouco e, algum tempo depois, chegávamos na segunda parada. Era hora de caminhar para a cachoeira. Hora de relaxar na água, essa água que por muito, muito tempo, foi comendo pedra e chão e desenhando os cursos que percorre, formando as quedas de água que nos encantam e comovem.

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Na volta, a segunda aula da Alice. Dia de professoras apaixonadas. A gente percebe quando um professor está apaixonado. Sente no olhar, nos gestos, no timbre da voz. Convidou a turma a falar dos quatro erres: repensar, reduzir, reutilizar e reciclar. Repense: como lidar com o lixo? Reduza: consuma menos e produza menos lixo. Reutilize: dê uma nova utilidade e evite o surgimento do lixo. Recicle: o lixo pode tornar-se outra coisa, novinha em folha.

Descanso. Cada um para sua casa.

O segundo tempo foi à noite, na UFU. Quanto lixo o Grito Rock deixaria pro mundo? Quatro bandas, muita gente. Muito lixo? Pouco lixo? Vamos ver. Depois das bandas, depois da animação, as pessoas iam saindo e o lixo ia sobressaindo. Aqui e ali, latas e garrafas. Puxa, quando prestamos atenção em alguma coisa ela aparece mesmo… Começamos a recolher. Juntamos tudo e depois espalhamos no gramado. O Guilherme achou pouco, disse que esperava mais lixo. Mas nesse momento, o lixo ainda era apenas uma ideia. Por isso, parecia pouco. Quando começamos a separar, plástico aqui, latas ali, vidro acolá, o cansaço surgiu, a realidade apareceu. Quanto trabalho, tanto lixo! O lixo existe, é bem real e é muito. Essa foi a lição da noite. Imaginem o lixo acumulado em tantas noites, por tantas cidades, países. Por tantas vidas!

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Separe seu lixo, cuide melhor dele. Aplique os quatro erres na sua vida. Passe da simples ideia ao real, percebendo todas as suas consequências, o seu impacto. Lembre-se sempre de que o nosso prazer, o nosso mundo, levou tempo, muito tempo, para se formar, para tornar-se tão belo. E assim, rápido assim, podemos acabar com tudo isso. Gaste um pouco de seu tempo. Reeduque-se. Contribua para a beleza e não apenas usufrua dela.

* Diogo Duarte Parra é de São Paulo e mora em Ituiutaba desde outubro 2014. Apaixonado pela natureza, voluntário e ativista Lixo Zero no 3º Grito Rock Ituiutaba.

Uma iniciativa da Plataforma Ituiutaba Lixo Zero em parceria com:

sertão gritorocklogo Juventude Lixo Zero Brasil

Transferência de montanhas – do natural ao repulsivo

As diversas maneiras de tratar o que não queremos mais.

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(Foto: Reprodução/TV Integração)

 O que, há alguns anos, era feito para durar muito tempo, hoje já não o é mais. Os produtos, necessários para o bem estar no nosso dia-a-dia, os bens de consumo, brinquedos e eletroeletrônicos em sua maioria, tão cedo são adquiridos se vêem encostados, sem serventia, seja porque já não funcionam mais, seja porque são substituídos cada vez com mais rapidez. Não podemos deixar de mencionar o fato de que a sociedade de consumo incentiva essas ações, pois tem no consumo uma falsa ideia de satisfação pessoal. Assim, cada vez mais compramos, compramos, compramos para substituir o que jogamos fora e o ciclo não se fecha, porque não destinamos esses objetos a fim de que sejam reutilizados, reaproveitados ou reciclados.

Falamos muito dos mini-lixões espalhados em nossa cidade. Nesse jornal mesmo vemos notícias constantes de amontoados de lixos nos quatro cantos de Ituiutaba – e isso não é mérito somente da nossa cidade, mas comportamento recorrente no Brasil inteiro. No entanto o que me chama a atenção é que muitos dos objetos que são “jogados” em terrenos baldios e beiras de estradas são objetos que poderiam ser úteis a outras pessoas. Um sofá, por exemplo, reformado, reparado, consertado, restaurado (e não importa o verbo utilizado) poderia servir a outras pessoas, assim como uma cama, ou uma mesa, para não falar de uma televisão ou um fogão.

É interessante o fato de que em muito pouco tempo assimilamos o comportamento de valorizar o que é novo e desfazemos do que já foi usado. E digo “em muito pouco tempo”, pois há nem tanto tempo assim minha avó ensinou o valor das coisas aos seus netos, o valor da reutilização e do reaproveitamento delas. Poucas coisas das mãos da minha avó tiveram como destino a lixeira.

Lançar mão do “jogar fora” está nos levando a uma situação complicada porque, de um lado, extraímos recursos naturais para a produção dos bens de consumo e de outro, os “jogamos fora” indiscriminadamente. De uma maneira alegórica, estamos apenas transferindo as montanhas de lugar e modificando sua qualidade. O que outrora era composto de riquezas naturais passa agora a ser de “lixo”, um monte de resíduos misturados, sujo, fedido, porém com uma riqueza enorme camuflada como “o que não presta mais”.

É hora SEMPRE de repensar aquela nova compra, de se perguntar sobre sua real e devida necessidade. É hora de se perguntar o que tem na sua lixeira. É hora de se perguntar se aquela roupa, aquele sapato, aquela poltrona, aquele liquidificador, aquele secador de cabelo ou o que quer que seja que possa estar, num primeiro momento, estragado, pode ter conserto, reparo, reforma, restauração. E claro que Ituiutaba merece um desses centros lindos que vemos por aí, mundo afora, que emprega gente, que proporciona renda e definitivamente, agrega valor – estético e funcional ao que seria apenas “lixo”.

Está na hora de pensar a respeito e para isso convido a todos a se sentirem parte da Plataforma Ituiutaba Lixo Zero. Colabore com o debate, proponha temas para a coluna, comente o blog e contribua! Esperamos por vocês.