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Encontros decisivos para uma grande mudança nos nossos hábitos – Metade do problema pode virar adubo

 Na última segunda-feira, dia 09 de fevereiro, a Secretaria Municipal de Educação de Ituiutaba foi palco da 3º audiência pública municipal para o Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos (PMGIRS).

Basicamente esse encontro teve como objetivo apresentar os estudos da equipe da UFU referentes à elaboração do PMGIRS, partindo da construção de um aterro sanitário que atenda os sete municípios que compõem o consórcio intermunicipal, a saber: Ituiutaba, Gurinhatã, Prata, Monte Alegre, Canápolis, Centralina e Araporã.

Levando em consideração a exigência legal (PNRS 12.305/10) que o aterro sanitário deve receber somente rejeitos a equipe da UFU, liderada pela geóloga e professora Maria Ângela Freitas, apresentou três cenários para a construção e gestão consorciada de um ou mais aterros sanitários para as sete cidades.

 

Primeiro Cenário:

O primeiro cenário contempla a construção de um único aterro sanitário próximo ao Trevão, que receberia os rejeitos dos sete municípios participantes do consórcio intermunicipal.

 

Segundo cenário:

O segundo cenário contempla a construção de dois aterros sanitários. Um deles construído em Ituiutaba, próximo ao Posto Décio, saída para Santa Vitória, que atenderia Ituiutaba e Gurinhatã. E o outro construído próximo ao Trevão que atenderia as demais cidades: Prata, Monte Alegre, Canápolis, Centralina e Araporã.

A gestão desses dois aterros não seria individual ou realizada apenas pelas cidades beneficiadas, mas sim pelo consórcio público representado pelas sete cidades.

 

Terceiro Cenário:

Já no terceiro cenário, são contemplados três aterros sanitários. Nesse caso, um aterro em Ituiutaba que atenderia as cidades de Ituiutaba e Gurinhatã. Um segundo aterro para os municípios de Centralina, Canápolis, Araporã e Monte Alegre. E finalmente um terceiro aterro que seria reservado para o município do Prata apenas.

 

Gestão Consorciada

Nessa perspectiva consorciada, independente do número de aterros, deve-se lembrar de que a gestão deverá ser feita também de forma consorciada e compartilhada. Assim, a equipe da UFU considerou fortemente, durante a construção dos cenários, tanto a composição gravimétrica, ou seja, o volume e os tipos de resíduos dos municípios participantes como também custos de logística e gestão dos aterros.

A Prefeitura de Ituiutaba se posicionou a favor do segundo cenário. No entanto, os outros municípios receberão a equipe da professora Ângela ainda essa semana,na ocasião das audiências públicas agendadas e ao fim desse processo, previsto para o mês de maio desse ano, os prefeitos dos municípios consorciados tomarão a decisão final de qual cenário os sete municípios consorciados trabalharão durante os próximos 20 anos.

 

Educação Ambiental e Mudança de Hábitos

O que vale ressaltar é que independente da decisão tomada pelos prefeitos, todos esses feitos devem ser acompanhados de inúmeras ações de educação ambiental em diversos níveis e âmbitos da sociedade.

Para termos uma ideia do trabalho e da mudança a ser realizada por nós, cidadãos, a composição gravimétrica dos resíduos de Ituiutaba foi apresentada. Composição gravimétrica nada mais é que o volume do “lixo” e, do quê ele é composto, visto que todos os resíduos estão misturados.

Em Ituiutaba nós produzimos diariamente 70 toneladas. Dessas, aproximadamente 22 toneladas são materiais recicláveis tais como plástico, vidro, papel e papelão, alumínio, entre outros.  Os rejeitos, ou seja, o que não é passível de reaproveitamento tais como papel higiênico, algodão e cotonete usado, plástico filme sujo de comida, bandeijinha de isopor de frios, entre outros figuram com 19 toneladas. Já os resíduos orgânicos seguem a média nacional de quase 50% dos resíduos gerados e, aqui em Ituiutaba, das 70 ton/dia eles aparecem como 35 toneladas diárias de matéria orgânica, sendo levadas ao aterro sanitário, enterradas, causando graves danos ambientais e deixando de gerar riqueza.

Diferença entre REJEITOS X RESÍDUOS SÓLIDOS

Art3º PNRS (12.305/10):  ….definições

XV – rejeitos: resíduos sólidos que, depois de esgotadas todas as possibilidades de tratamento e recuperação por processos tecnológicos disponíveis e economicamente viáveis, não apresentem outra possibilidade que não a disposição final ambientalmente adequada;

XVI – resíduos sólidos: material, substância, objeto ou bem descartado resultante de atividades humanas em sociedade, a cuja destinação final se procede, se propõe proceder ou se está obrigado a proceder, nos estados sólido ou semissólido, bem como gases contidos em recipientes e líquidos cujas particularidades tornem inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou em corpos d’água, ou exijam para isso soluções técnica ou economicamente inviáveis em face da melhor tecnologia disponível;

PNRS (12.305/10): Política Nacional de Resíduos Sólidos, Lei 12.305 de 02/08/2010

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/lei/l12305.htm

 

 

 

A compostagem, ou seja, a transformação da matéria orgânica em adubo é altamente recomendada. Sendo ela incentivada e orientada em Ituiutaba, a sociedade Ituiutabana caminha para um status de sociedade lixo zero e resolve metade do problema, problema esse que pesa 70 toneladas por dia.

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