Venda a granel. Quais os benefícios dessa prática? por Alice Drummond

le reseauvrac    Readquirir certos hábitos do tempo da vovó, como comprar a granel, por exemplo, vai nos levar a um caminho cuja estrada é mais longa.

No dia 03 de julho celebramos o dia internacional livre da sacolinhas plásticas. A necessidade, que virou tendência mundial, é de que reduzamos o uso indiscriminado das sacolinhas plásticas e optemos pelo uso racional, sob o qual compreendamos de fato a necessidade delas nas nossas vidas.

Para reforçar as ideias recorrentemente apresentadas nessa coluna hoje vamos conhecer o que muitos comerciantes franceses estão fazendo para colaborar na redução de embalagens e consequentemente de lixo.

a granel 2

Eles estão vendendo a granel. Isso mesmo, a granel. E a cada dia que passa a rede se torna maior. É por isso que muitos desses comerciantes franceses e da região de Paris criaram uma rede e desenvolvem ações em conjunto, muitas delas auxiliados pela equipe da associação não governamental voltada para essas questões, a Zero Waste France (Lixo Zero França).

A Rede a GranelLe Réseau Vrac em francês – é composta por atores do setor a granel, ou seja, a venda de produtos não pré-embalados. Hoje, mais de 50 projetos em supermercados em toda a França, além de estabelecimentos comerciais (outlets) que oferecem produtos a granel alguns totalizando 100% de seus produtos.

a granel 4

Um exemplo da organização da Rede a Granel é a site na internet – http://reseauvrac.wix.com/info_ – com os endereços e informações desses estabelecimentos que se propõem a vender a granel e dessa forma promovem:

a redução do uso de embalagens descartáveis que atualmente representam por volta de um terço dos resíduos produzidos por nós. A compra a granel utilizando embalagens reutilizáveis ajuda a diminuir a produção de resíduos;

menos desperdício alimentar uma vez que a venda a granel permite a escolha da quantidade exata desejada podendo contribuir para a redução da comida jogada fora;

mais economia pela venda a granel que propõe uma economia entre 10% e 40% no preço de produtos de qualidade em comparação aos produtos de grande circulação;

mais local já que a venda a granel pode ser uma ótima oportunidade de favorecer os produtores locais brasileiros e mesmo aqueles menores cuja produção está próxima do local de venda;

E finalmente, – apoiar a atividade econômica e os laços sociais já que estas práticas são uma oportunidade para recriar a ligação entre o comerciante e os seus clientes e revitalizar a economia local.

a granel 6

Voltar aos tempos da vovó a reassumir certas atitudes e hábitos é uma das condições conferidas a nossa geração para que as próximas, ou seja, nossos netos possam conhecer um mundo como o conhecemos, ou até melhor e ainda mais bonito, a depender do nosso comprometimento.

Temos muito trabalho pela frente, mas correntemente vemos atitudes relativamente simples que nos anima a seguir confiantes, não!?a granel 5

Nos escreva: sugira um tema pra coluna; exponha suas ideias, dificuldades e/ou propostas para seguirmos rumo a um mundo com menos “lixo” e mais recurso: lixozeroitba@gmail.com

Esse espaço é de todos!

*Alice Drummond é consultora/especialista em Resíduos Sólidos pela UnB e mestre em Governança de Resíduos Sólidos pela Sorbonne Nouvelle Paris 3.

 a granel 3

Anúncios

Nova Iorque vai reduzir seus resíduos

nova-iorque

O prefeito da cidade de Nova Iorque, uma das maiores cidades do mundo em número de habitantes, anunciou que em 2030 não irá mais enviar lixo produzido pelos habitantes da cidade para lixões de outros estados dos Estados Unidos. Além disso, a prefeitura tem como meta a redução de 90% ou mais do resíduo produzido pelo comércio da cidade. Todo o lixo da cidade de Nova Iorque será reciclado, compostado, ou eliminado. Atualmente apenas 15% do lixo reciclável que a população separa é recolhido pelo programa da prefeitura para reciclagem e a intenção é aumentar mais esse número e distribuir a todos os habitantes da cidade lixões plásticos para descarte de vidro, metal, plástico e papel. Essa prática já é bem conhecida por ser adotada em outras cidades além de Nova Iorque. Além do aspecto de reciclagem, o programa de compostagem pretende ser expandido a 100 mil lares até 2018.

Vendo ações como essas, de cidades tão complexas e com densidade populacional altíssima como Nova Iorque, e feitas pensando a longo prazo, podemos acreditar que é possível fazer um plano para reduzir a quantidade gerada de resíduos e que os governantes podem agir desta mesma forma nas cidades brasileiras.

Para ler mais sobre o tratamento de lixo em Nova Yorque veja o texto em ingles da CNN: http://money.cnn.com/2015/04/22/news/economy/new-york-city-garbage/

Escrito por Thiago Lima

Práticas sustentáveis nas grandes empresas e suas demandas para as Micro e Pequenas Empresas

O Sebrae disponibilizou um documento chamado as Práticas sustentáveis nas grandes empresas e suas demandas para as Micro e Pequenas Empresas que pode ser baixado de seu site nesse link. Nesse documento, ele exemplifica como diferentes empresas, grandes, médias ou pequenas empresas, fizeram para implantar praticas sustentáveis, incluindo o gerenciamento e redução de resíduos. O documento visa disseminar e também ampliar o conhecimento de empresas sobre práticas sustentáveis de outras empresas, em especial as grandes empresas, e que isso é uma alternativa para que possam gerar valor através dessas atividades.

 

PRÁTICAS DE RESPONSABILIDADE E GESTÃO AMBIENTAL

O documento mostra a realidade de cada empresa e no fim de cada apresentação é feita a seguinte pergunta:

PODERIA CITAR 10 EXEMPLOS DE PRÁTICAS DE RESPONSABILIDADE E GESTÃO AMBIENTAL A SER INCORPORADA S NA MPE, QUE VENHAM A SIGNIFICAR MAIOR ACESSO, COMO FORNECEDORES, ÀS GRANDES EMPRESAS?

Confira as respostas:

Empresa Sertenco

  • Respeito à Legislação Ambiental;
  • Implantação do SGI;
  • Conscientização de todos os colaboradores;
  • Qualificação dos fornecedores para cumprirem as normas ambientais;
  • Treinamento dos colaboradores;
  • Auditoria dos processos implantados;
  • Divulgação interna dos resultados da Gestão Ambiental;
  • Manuseio correto dos resíduos;
  • Acompanhamento e controle do descarte dos resíduos;
  • Rastreabilidade de todo o processo da Gestão Ambiental.

MCM LIGHT

  • Investimento em pessoas;
  • Reciclagem do lixo;
  • Utilização de energia consciente;
  • Melhor aproveitamento de recursos internos, como: papel, comida, copos, etc;
  • Estabelecer relações com ONGs de ordem ambiental para auxílio no planejamento;
  • Analisar os serviços que presta e ver se neles consegue adequar a sustentabilidade;
  • Saber comunicar ao mercado suas políticas de sustentabilidade.

Ens Engenharia

  • Coleta seletiva;
  • Utilização de papel reciclado;
  • Compra de material com selo verde;
  • Uso de iluminação de baixo consumo e iluminação natural;
  • Uso de ventilação natural;
  • Uso de energia solar;
  • Reaproveitamento de água da chuva;
  • Reaproveitamento de materiais em geral;
  • Conscientização dos funcionários a aderirem à sustentabilidade dentro e fora da empresa;
  • Utilização de biocombustível.

M&R ENGENHARIA

  • Treinamento de colaboradores para conscientização dos aspectos e impactos ambientais;
  • Uso de produtos e tecnologias ambientalmente amigáveis;
  • Economia de água e energia;
  • Triagem de resíduos antes de descartá-los objetivando o uso posterior;
  • Aquisição de dispositivos corretos de coleta;
  • Acondicionamento adequado de resíduos;
  • Transporte em conformidade com as características dos resíduos e com as normas técnicas específicas;
  • Controle de registros das destinações dos resíduos;
  • Implantação de manutenção preventiva de equipamentos movidos por motores elétricos ou motores a combustão;
  • Implantação de política de segurança e meio ambiente

Saiba mais

Baixe o documento esse link.

As informações referentes  a esse post foram retiradas do documento e do site ecodesenvolvimento.org.

Escrito por Thiago Lima.

Conheça um Serviço para Alimentos Compostáveis

compostaveis

Na cidade que vivo hoje, em Rochester, estado de Nova York, nos Estados Unidos, existe um serviço oferecido por uma empresa chamada Community Composting, que a população pode assinar para que seu lixo orgânico, ou compostável possa ser processado e seja transformado em adubo.  O serviço custa 6 dólares por semana e um caminhão passa uma vez por semana, coleta sua lixeira e deixa uma limpinha pra você, alem de adubo ou plantas de cozinha, a sua escolha. Caso prefira, o adubo pode ser doado para instituições cadastradas pela empresa.

Confira a lista dos alimentos compostáveis

  • Restos de frutas e vegetais
  • Pão e Cereal
  • Café, filtro de papel e chá
  • Tolha de papel e rolo de toalha de papel
  • Prato de papel
  • Caixa de Ovo
  • Plantas de casa
  • Peixe, carne, Frango …

Passo 1 – Depois que você faz assinatura, você ganha uma lata e lixo em sua casa

1

Passo 2 – O assinante coloca todos os resíduos de comida nessa lixeira.

2

Passo 3 – Toda semana a lixeira é reposta com uma lixeira limpa

3

Passo 4 – Os seus resíduos de comida são transformados em compostagem e plantas de cozinha (Claro que o transformados aqui não exatamente deve ser levado ao pé da letra)

4

Veja o video de como funciona o serviço de compostagem oferecido por essa empresa. Ele está em inglês.

Escrito por Thiago Lima

Curso Online Grátis: A Era do Desenvolvimento Sustentável

O Coursera está oferecendo um curso online grátis chamado “A Era do Desenvolvimento Sustentável”, ou The Age of Sustainable Development. Este curso é ministrado por Jeffrey Sachs, diretor do Instituto da Terra (Earth Institute). As inscrições podem ser feitas até o próximo domingo a noite.

O Curso é em inglês, mas tem legendas em espanhol e em outras línguas, e tem duração de 15 semanas, com uma prova final.

Ementa do curso “A Era do Desenvolvimento Sustentável”, The Age of Sustainable Development

Semana 1: What is Sustainable Development? — O que é desenvolvimento Sustentável

Semana 2: Inequality Around the World – A desigualdade em volta do mundo

Semana 3: A Short History of Economic Development – Uma breve história do desenvolvimento econônomico

Semana 4: The History of Inequality – A história da desigualdade

Semana 5: The MDGs and the End of Extreme Poverty – As MSGs e o fim da extrema pobreza

Semana 6: Growth within Planetary Boundaries – Desenvolvimento com as condições planetárias

Semana 7: Human Rights and Gender Equality – Direitos Humanos e igualdade entre sexos

Semana 8: Education – Educação

Semana 9: Universal Health Coverage – Cobertura de saúde global

Semana 10: Sustainable Food Supply and the End of Hunger – Fornecimento de comida sustentável e o fim da fome

Semana 11: Sustainable Cities – Cidades sustentáveis

Semana 12: Curbing Climate Change – Limitando a Mudança climática

Semana 13: Saving Biodiversity – Salvando a Biodiversidade

Semana 14: The SDGs – As SDGs

Semana 15: Prova Final

Para acessar o site e se inscrever, clique na imagem abaixo.

Desenvolvimento-Sustentável

Post escrito por Thiago Lima

As embalagens e os dias atuais

Escrito por Thiago Lima.

É bem fácil notar que nosso padrão de vida atual produz um volume muito grande de resíduos se comparado a de nossos pais, há 20 ou 30 anos. A rotina atual nos toma muito tempo e quando organizamos nosso cotidiano optamos por soluções práticas que nos poupem esforço e seja rápido. Um exemplo claro disso está no nosso carrinho de supermercado.

Esse momento dedicado a suprir nossas necessidades mais básicas, que é da alimentação, é trabalhado por equipes de marketing ao redor do mundo.

As necessidades das indústrias de bens de consumo é atrair a atenção dos consumidores para que eles façam a escolha “certa”, ou seja, escolham o seu produto. Para isso essas empresas desenvolvem embalagens bonitas, mais atrativas, práticas ou no tamanho conveniente por consumidor. Essas inovações fazem com que haja um potencial aumento de vendas, já que as empresas desenvolvem mais produtos com a cara do cliente ou que permitem que o consumidor pague mais pelo produto pelo fato da embalagem ser apenas mais bonita. Um exemplo interessante são as embalagens para solteiros ou latinhas de cerveja menor, para que a cerveja não fique quente.

Então pare e pense como o mundo está funcionando hoje em dia: diversos novos produtos são lançados diariamente e somos atraídos por suas embalagens, lindas, de tamanhos variados e coloridas. Diversos profissionais estão envolvidos no trabalho de uma embalagem de um produto, pessoa de marketing, engenheiros de produtos, engenheiros de qualidade entre outros. Muitas vezes as embalagens são feitas para proteger melhor o produto, para transporte ou para que ele não perca o sabor característico ou formato, etc. Mas existem equipes pensando em como encantar o consumidor e fazê-lo comprar pela emoção. São oferecidas, em diversas situações, embalagens especiais, mais bonitas, para que o cliente tenha um produto diferenciado. Por exemplo, determinados alimentos podem ser protegidos por papel laminado, que oferece maior proteção para o sabor de uma carne.

Sabemos que volumes individuais produzem mais lixo, mas nem sempre lembramos disso. Iogurtes, bolachas, refrigerantes e cervejas são exemplos de itens de consumo rotineiro que encontramos em supermercados com embalagens de diversos tamanhos. Mas quantos de nós nos preocupamos com esse fato quando vamos comprar? Optamos muitas vezes pela praticidade, pelo tamanho que melhor se adequa à nossa praticidade.

Lembre-se que melhor que reciclar ou reutilizar é não gerar lixo, ou gerar o menor número possível de resíduos. Faz uma forcinha e lembre disso quando for ao supermercado. O planeta agradece.

Sobre o Autor

Thiago Lima: Mineiro de Ituiutaba, sou formado em Engenharia Elétrica na USP São Carlos e atualmente sou estudante de mestrado do RIT – Rochester Institute of Technology, pelo programa CAPES Ciência sem Fronteiras do governo Federal em Rochester-NY. Sou COO e fundador da UNA, de uma startup de tecnologia nos Estados Unidos, sou Diretor de Marketing do Embarcados, escrevo para o Fazedores e apoio a Plataforma Ituiutaba Lixo Zero. Entre outras paixões, adoro rock´n roll, assuntos relacionados a tecnologia, papo de liderança e empreendedorismo.

Reciclagem com caixa de ovo

Reciclagem-com-caixa-de-ovo-Final-2

Escrito por Thiago Lima.

No video Reciclagem com caixa de ovo, Paty Pegorin do site Garota Criatividade ensina como fazer flores a partir de uma caixas de ovo e palitos. Melhor que reciclar, nesse caso, é fazer um item de decoração a partir do que seria lixo. Com criatividade podemos transformar objetos que antes seriam inutilizáveis em objetos que podem fazer parte de nossa rotina.

Acima uma foto tirada do site garotacriativa.com que mostra o resultado final dessa, que é agora uma peça de decoração.

Confira o video onde ela ensina como fazer as flores com caixas de ovo.

Para mais detalhes acesse o site de Paty, garotacriativa.com e encontre todos os detalhes de como fazer as flores.

Mar de Plástico

mar-de-plastico

Escrito por Thiago Lima

O plástico utilizado em garrafinhas e sacos plásticos nem sempre tem como destino a reciclagem, simplesmente o jogamos fora. Para se ter uma ideia, a cada 5 minutos, 2 milhões de garrafas são utilizadas nos Estados Unidos. Não possuo os número do consumo de garrafas plásticas, mas este número também corresponde a centenas de milhares de unidades a cada 5 minutos. O destino de várias dessas garrafas é o oceano. O video do TED abaixo, chamado Charles Moore sobre o mar de plástico mostra que tem muito plástico nos mares e nas praias. O Capitão Charles Moore da Algalita Marine Research Foundation foi quem descobriu primeiro a grande mancha de lixo do Pacífico – uma infinita aglomeração flutuante de lixo plástico. Ele chama a atenção para o crescente, asfixiante problema dos resíduos de plástico nos nossos mares.

O pesquisador conduziu suas observações na costa oeste dos Estados Unidos e mostrou muitas tampas plásticas que chegaram por correntes oceânicas. E muitas aves morrem pela ingestão principalmente de tampas plásticas, as mesmas que utilizamos em nossas garrafas.

Como observamos atualmente, a quantidade de embalagens de todas as formas, em especial as embalagens plásticas, está aumentando, e nossa vida cheia de objetos que nos proporcionam conveniência e que são descartáveis, tudo isso está aumentando. Isso não é só um problema dos lixos ou aterros, mas também do mar porque de alguma forma isso vai parar la. A melhor forma então de evitar isso é reduzir o consumo de embalagens e sacolinhas e utilizar mais os processos de reciclagem.

Veja o video completo com legendas em português na figura abaixo:

mar-de-plastico-1

Carta Encíclica do Papa Francisco alerta sobre a deteriorização ecológica

lixo

Post de Thiago Lima.

O papa Francisco escreveu uma Carta Encíclica no dia 18 de junho deste ano entitulada Sobre o Cuidado da Casa Comum. Em um dos trechos ele menciona Poluição, resíduo e a cultura do descarte. Veja o texto a seguir, um trecho retirado da Encíclica que pode ser acessada integralmente nesse link em português.

1. Poluição e mudanças climáticas

Poluição, resíduos e cultura do descarte

20. Existem formas de poluição que afetam diariamente as pessoas. A exposição aos poluentes atmosféricos produz uma vasta gama de efeitos sobre a saúde, particularmente dos mais pobres, e provocam milhões de mortes prematuras. Adoecem, por exemplo, por causa da inalação de elevadas quantidades de fumo produzido pelos combustíveis utilizados para cozinhar ou aquecer-se. A isto vem juntar-se a poluição que afeta a todos, causada pelo transporte, pelos fumos da indústria, pelas descargas de substâncias que contribuem para a acidificação do solo e da água, pelos fertilizantes, insecticidas, fungicidas, pesticidas e agro-tóxicos em geral. Na realidade a tecnologia, que, ligada à finança, pretende ser a única solução dos problemas, é incapaz de ver o mistério das múltiplas relações que existem entre as coisas e, por isso, às vezes resolve um problema criando outros.

21. Devemos considerar também a poluição produzida pelos resíduos, incluindo os perigosos presentes em variados ambientes. Produzem-se anualmente centenas de milhões de toneladas de resíduos, muitos deles não biodegradáveis: resíduos domésticos e comerciais, detritos de demolições, resíduos clínicos, electrónicos e industriais, resíduos altamente tóxicos e radioactivos. A terra, nossa casa, parece transformar-se cada vez mais num imenso depósito de lixo. Em muitos lugares do planeta, os idosos recordam com saudade as paisagens de outrora, que agora vêem submersas de lixo. Tanto os resíduos industriais como os produtos químicos utilizados nas cidades e nos campos podem produzir um efeito de bioacumulação nos organismos dos moradores nas áreas limítrofes, que se verifica mesmo quando é baixo o nível de presença dum elemento tóxico num lugar. Muitas vezes só se adoptam medidas quando já se produziram efeitos irreversíveis na saúde das pessoas.

22. Estes problemas estão intimamente ligados à cultura do descarte, que afecta tanto os seres humanos excluídos como as coisas que se convertem rapidamente em lixo. Note-se, por exemplo, como a maior parte do papel produzido se desperdiça sem ser reciclado. Custa-nos a reconhecer que o funcionamento dos ecossistemas naturais é exemplar: as plantas sintetizam substâncias nutritivas que alimentam os herbívoros; estes, por sua vez, alimentam os carnívoros que fornecem significativas quantidades de resíduos orgânicos, que dão origem a uma nova geração de vegetais. Ao contrário, o sistema industrial, no final do ciclo de produção e consumo, não desenvolveu a capacidade de absorver e reutilizar resíduos e escórias. Ainda não se conseguiu adoptar um modelo circular de produção que assegure recursos para todos e para as gerações futuras e que exige limitar, o mais possível, o uso dos recursos não-renováveis, moderando o seu consumo, maximizando a eficiência no seu aproveitamento, reutilizando e reciclando-os. A resolução desta questão seria uma maneira de contrastar a cultura do descarte que acaba por danificar o planeta inteiro, mas nota-se que os progressos neste sentido são ainda muito escassos.

O Papa continua mais a frente sobre como conduzimos nossa vida moderna.

161. As previsões catastróficas já não se podem olhar com desprezo e ironia. Às próximas gerações, poderíamos deixar demasiadas ruínas, desertos e lixo. O ritmo de consumo, desperdício e alteração do meio ambiente superou de tal maneira as possibilidades do planeta, que o estilo de vida actual – por ser insustentável – só pode desembocar em catástrofes, como aliás já está a acontecer periodicamente em várias regiões. A atenuação dos efeitos do desequilíbrio actual depende do que fizermos agora, sobretudo se pensarmos na responsabilidade que nos atribuirão aqueles que deverão suportar as piores consequências.

162. A dificuldade em levar a sério este desafio tem a ver com uma deterioração ética e cultural, que acompanha a deterioração ecológica. O homem e a mulher deste mundo pós-moderno correm o risco permanente de se tornar profundamente individualistas, e muitos problemas sociais de hoje estão relacionados com a busca egoísta duma satisfação imediata, com as crises dos laços familiares e sociais, com as dificuldades em reconhecer o outro. Muitas vezes há um consumo excessivo e míope dos pais que prejudica os próprios filhos, que sentem cada vez mais dificuldade em comprar casa própria e fundar uma família. Além disso esta falta de capacidade para pensar seriamente nas futuras gerações está ligada com a nossa incapacidade de alargar o horizonte das nossas preocupações e pensar naqueles que permanecem excluídos do desenvolvimento. Não percamos tempo a imaginar os pobres do futuro, é suficiente que recordemos os pobres de hoje, que poucos anos têm para viver nesta terra e não podem continuar a esperar. Por isso, «para além de uma leal solidariedade entre as gerações, há que reafirmar a urgente necessidade moral de uma renovada solidariedade entre os indivíduos da mesma geração».[125]