Como ser uma pessoa lixo zero?

O Conceito lixo zero pode parecer, às vezes, muito distante de sua aplicação, contudo na maioria das vezes é muito mais próximo que imaginamos. Idealizamos uma enorme dificuldade no ato de ser uma pessoa lixo zero, não é mesmo? Mas aqui você vai conhecer quatro ações simples que te farão ver como é simples ser lixo zero.

quanto de lixo vc ja consumiu hj

O momento decisivo acontece quando começamos a pensar em REDUZIR A PRODUÇÃO DE LIXO. A importância e os desdobramentos dessa primeira ação são enormes e decisivos para o lixo zero. Um exemplo claro para a REDUÇÃO de lixo é evitar objetos que num pequeno espaço de tempo vão parar na lixeira.

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Sabe quando compramos algo que vem embrulhado e ainda dentro de uma sacola? Pois é, o embrulho e a sacola são dispensáveis. Mas já estamos tão habituados à eles que nem questionamos se deles precisamos. No entanto, se recusarmos recebê-los estaremos reduzindo a geração de lixo.

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Decisão tomada, nos tornaremos mais atentos às incontáveis possibilidades de reduzir a produção de lixo e começaremos uma jornada rumo ao lixo zero.

Bom, nessa longa, mas possível, jornada, continuaremos a produzir lixo, contudo, teremos mais condições de avaliar o que está em nossas lixeiras. Veremos, todavia, que tem “lixo” de tudo e quanto é tamanho, cor, material, forma, utilidade e que, todos esses itens estão misturados. A segunda grande sacada rumo ao lixo zero é ver, nesse monte de “lixo” o que nos pode ainda ser útil de alguma forma. O que nos economizaria uma nova compra. O que poderíamos REUTILIZAR.

REDUZIR E REUTILIZAR MATERIAIS FAZ DE VOCÊ UMA PESSOA ANTENADA AO LIXO ZERO

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O REAPROVEITAR faz parte da hierarquia lixo zero e amplia as possibilidades de reuso do objeto, pois no reaproveitamento modificamos o material de modo que ele possa ser útil em alguma outra atividade que não tenha sido a atividade fim para a qual ele foi desenhado. O REAPROVEITAR é usar a criatividade pensando nas nossas necessidades. É pensar nas possibilidades dos objetos que colocamos na lixeira.

Conhecemos muita gente que fez do “lixo” produtos super originais, alguns quebra-galhos, outros de bom gosto, e que todos eles tenham atendido uma necessidade. O reaproveitar é amplo, ele considera o “lixo” matéria prima que será usada ou transformada para a construção de algum objeto diferente.

REPENSAR, REDUZIR, REUSAR E REAPROVEITAR MATERIAIS FAZ DE VOCÊ UMA PESSOA AINDA MAIS ANTENADA AO  LIXO ZERO e te conduzirá automaticamente à RECICLAGEM.

A RECICLAGEM proporciona nova vida aos materiais recicláveis e uma embalagem tetra-pak, limpa, destinada à coleta seletiva terá como destino a fabricação de outra embalagem de tetra-pak ou não, e assim por diante.

No fim das contas, o grande lance é saber que LIXO não é mais aquilo que se amontoa, ou que se joga fora, mas aquilo que se vê valor, pois LIXO é a nova matéria prima da nossa sociedade de consumoReciclar MMA

 O poder dessas quatro ações citadas acima é ENORME, assim como as possibilidades de nos tornarmos todos Lixo Zero. Sejamos todos.

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Impressora 3D e a fabricação pessoal: Personalização de objetos e redução de resíduos

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Escrito por Thiago Lima

Uma nova revolução está em curso nesse momento. É a revolução da fabricação pessoal, impulsionada principalmente pela popularização das impressoras 3D e acervo incrível de informações disponível na internet. O ato de fazer coisas se tornou algo popular – pessoas comuns, sem nenhum ou pouco conhecimento técnico podem criar ou reproduzir objetos. Elas conseguem agora transformar arquivos digitais em peças materiais, pesquisar por diferentes peças na internet, mudar seu design utilizando ferramentas grátis na internet e compartilhar suas ideias com todo o mundo. A grande transformação não é relativa à forma em que as coisas são criadas, é quem está começando a fabricar as coisas… e não são as grandes indústrias como estamos acostumados a conhecer, mas pessoas com seus computadores ligados a internet e suas impressoras 3D. As impressoras aos poucos chegam às casas de várias pessoas pelo mundo, e também a empresas nos diferentes ramos de atuação e universidades.

Apesar dessa tecnologia ainda não ter se popularizado como as impressoras convencionais que temos em casa, e elas não serem tão rapidas como gostaríamos, alguns benefícios de seu uso já estão ficando bem claros. Logo de cara, a impressora 3D elimina grande parte do desperdício de determinados materiais utilizado para se produzir um produto industrializado, uma vez que se pode fazer produtos sob demanda. A força do mercado competitivo tende a não deixar essa formação de estoque ou de produto excedentes acontecer, apenas uma pequena quantidade seria fabricada. No entanto, mesmo em um mercado com essas caracteristicas equilibradas, a impressora 3D oferece a possibilidade de impressão apenas sob demanda. E quando algo é personalizado ou feito por nós mesmos, nós cuidamos mais dele, o valorizamos e ele dura mais, não é mesmo? Claro que, como aparece na TV pessoas que fabricam diversos bonequinhos e pecinhas que não parecem ter alguma utilidade, por muitas vezes podemos pensar, e porque não, ter até argumentos fortes no sentido de que essas maquinas só aumentam o problema do lixo. Mas, depois do deslumbre dos primeiros dias com uma impressora dessas, o uso racional pode ser bem interessante.

As impressoras 3D disponibilizadas no Brasil atualmente estimulam a produção monomaterial, o que facilita de fato da reciclagem e, portanto, reutilização dos materiais. Produtos complexos e compostos de materiais não poderiam ser substituídos por peças impressas em 3D com as tecnologias que temos atualmente no mercado brasileiro. A expectativa é que se tenha disponíveis em breve impressoras que possibilitem a impressão em diversos materiais, mas isso ainda vai demorar um pouco.

Acredita-se que em um futuro bem próximo existirá para compra produtos que poderão ser adquiridos por completo ou apenas uma parte desse produto, bastará escolher na hora de sua compra a melhor opção pra você. Para a parte do produto que não virá no pacote do produto comprado, caso seja solicitado o produto incompleto, você poderá fazer o download da peça, e porque não também personalizá-la, e imprimir em sua casa ou em um local perto de você em uma impressora 3D. Poderá, inclusive, escolher as cores que achar mais legal, ou com palavras e desenhos significativos pra você.

E você já reparou quanta embalagem é utilizada para embalar um produto quando o compramos pela internet? Imagine então que esse volume enorme de embalagem possa ser reduzido se esse produto, ao invés de ser produzido, for impresso em uma 3D. No entanto, claro, a importância das embalagens racionalizadas de acordo com a necessidade do transporte do produto, impedem que os produtos quebrem ou que danifiquem durante seu transporte. Evitam, então, que algo tenha que ser fabricado novamente e, por último, mas não menos importante, permitem reaproveitamento do material empregado na embalagem  quando empregam materiais recicláveis ou reutilizáveis.

Tecnicamente dizendo, o uso da impressora 3D diminui a pegada de carbono (fonte: [4]). As emissões de carbono vão reduzir dramaticamente se diversas empresas começarem a utilizar desse recurso de impressão porque diferentes pecas não precisarão ser mais transportados pelos mares por vários dias, dos países produtores até os distantes países consumidores. Isso tudo mesmo considerando que o transporte marítimo é extremamente eficiente se considerarmos a quantidade de peso transportada por distância em quilômetros percorrida. A impressora 3D busca reduzir assim a poluição – reduz o desperdício de produção e minimiza a energia gasta para se produzir, armazenar e transportar determinada peça ou produto.

A utilização da impressão 3D nos inspira a inovar para o bem, nos faz começar a enxergar diferente a cadeia de produção de bens materiais e dá asas a nossa imaginação.

Esse Texto de Thiago Lima de Thiago Lima está licenciado com uma Licença Creative Commons 4.0 Internacional. É permitida a reprodução total ou parcial para qualquer fim desse texto e o nome do autor e link do site deve ser citada de maneira clara.

Boa parte desse texto foi retirada do texto do blog do Fazedores com titulo Impressoras 3D e Sustentabilidade, de minha autoria. Convido a todos a conhecer o blog. Ficarão encantados com a revolução dos Makers.

http://blog.fazedores.com/impressoras-3d-e-sustentabilidade/

Obrigado às sugestões enviadas por Rafael Turella e Ricardo Dias, estudantes no programa de mestrado de Sistemas Sustentáveis no Rochester Institute of Technology, onde estudo.

A Trilha antes da trilha – por Diogo Duarte Parra

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Ativismo Lixo Zero em Ituiutaba: a força do conhecimento aliado à prática e a marca que ele deixa.

Por Diogo Duarte Parra.

A trilha começou antes da trilha. Todos nos encontramos no campus da UFU. De lá partiria a van que nos levaria até a cachoeira da venda amarela. A professora Leda deu a primeira aula do dia, falando sobre as características geográficas da região. E a trilha se desenhava em nossas cabeças antes da trilha.

Primeira parada: ponte do rio Tijuco e ponte velha. Segunda aula da professora Leda, sobre o longo, longo tempo que o mundo precisou para construir as nossas paisagens e os nossos rios. Caminhamos, então, para as margens do rio Tijuco. Pelo caminho, sacos plásticos, garrafas, lixo em geral. Tanto, tanto tempo para a beleza se construir e nós, fácil assim, rápido assim, com nossas latas e plásticos, papéis e sapatos, comprometemos a beleza e a própria existência dessas paisagens.Bastante lixo e em pouco espaço.

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Daí veio a aula da Alice. Falou sobre o ativismo lixo zero, sobre acrescentarmos ao nosso prazer com a trilha a preocupação com a garantia da existência da própria trilha. E todos, empunhando sacos pretos, passaram a recolher o lixo que encontravam. Mas essa responsabilidade não é apenas nossa, lembrou a Alice. Hoje, a lei impõe àqueles que colocam produtos no mercado, que gerarão lixo, a obrigação de se preocupar e de criar mecanismos para que esse lixo não termine em trilhas e que tenha a destinação correta. A garrafa de coca-cola vazia é preocupação de quem a toma e também da própria empresa coca-cola.

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Sacos cheios de lixo, era hora de seguir em frente. De volta à van, pegamos a BR. Na altura da venda amarela, viramos à direta e entramos pelo canavial. Cana e mais cana. A vegetação foi mudando um pouco, se diversificando um pouco e, algum tempo depois, chegávamos na segunda parada. Era hora de caminhar para a cachoeira. Hora de relaxar na água, essa água que por muito, muito tempo, foi comendo pedra e chão e desenhando os cursos que percorre, formando as quedas de água que nos encantam e comovem.

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Na volta, a segunda aula da Alice. Dia de professoras apaixonadas. A gente percebe quando um professor está apaixonado. Sente no olhar, nos gestos, no timbre da voz. Convidou a turma a falar dos quatro erres: repensar, reduzir, reutilizar e reciclar. Repense: como lidar com o lixo? Reduza: consuma menos e produza menos lixo. Reutilize: dê uma nova utilidade e evite o surgimento do lixo. Recicle: o lixo pode tornar-se outra coisa, novinha em folha.

Descanso. Cada um para sua casa.

O segundo tempo foi à noite, na UFU. Quanto lixo o Grito Rock deixaria pro mundo? Quatro bandas, muita gente. Muito lixo? Pouco lixo? Vamos ver. Depois das bandas, depois da animação, as pessoas iam saindo e o lixo ia sobressaindo. Aqui e ali, latas e garrafas. Puxa, quando prestamos atenção em alguma coisa ela aparece mesmo… Começamos a recolher. Juntamos tudo e depois espalhamos no gramado. O Guilherme achou pouco, disse que esperava mais lixo. Mas nesse momento, o lixo ainda era apenas uma ideia. Por isso, parecia pouco. Quando começamos a separar, plástico aqui, latas ali, vidro acolá, o cansaço surgiu, a realidade apareceu. Quanto trabalho, tanto lixo! O lixo existe, é bem real e é muito. Essa foi a lição da noite. Imaginem o lixo acumulado em tantas noites, por tantas cidades, países. Por tantas vidas!

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Separe seu lixo, cuide melhor dele. Aplique os quatro erres na sua vida. Passe da simples ideia ao real, percebendo todas as suas consequências, o seu impacto. Lembre-se sempre de que o nosso prazer, o nosso mundo, levou tempo, muito tempo, para se formar, para tornar-se tão belo. E assim, rápido assim, podemos acabar com tudo isso. Gaste um pouco de seu tempo. Reeduque-se. Contribua para a beleza e não apenas usufrua dela.

* Diogo Duarte Parra é de São Paulo e mora em Ituiutaba desde outubro 2014. Apaixonado pela natureza, voluntário e ativista Lixo Zero no 3º Grito Rock Ituiutaba.

Uma iniciativa da Plataforma Ituiutaba Lixo Zero em parceria com:

sertão gritorocklogo Juventude Lixo Zero Brasil

Transferência de montanhas – do natural ao repulsivo

As diversas maneiras de tratar o que não queremos mais.

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(Foto: Reprodução/TV Integração)

 O que, há alguns anos, era feito para durar muito tempo, hoje já não o é mais. Os produtos, necessários para o bem estar no nosso dia-a-dia, os bens de consumo, brinquedos e eletroeletrônicos em sua maioria, tão cedo são adquiridos se vêem encostados, sem serventia, seja porque já não funcionam mais, seja porque são substituídos cada vez com mais rapidez. Não podemos deixar de mencionar o fato de que a sociedade de consumo incentiva essas ações, pois tem no consumo uma falsa ideia de satisfação pessoal. Assim, cada vez mais compramos, compramos, compramos para substituir o que jogamos fora e o ciclo não se fecha, porque não destinamos esses objetos a fim de que sejam reutilizados, reaproveitados ou reciclados.

Falamos muito dos mini-lixões espalhados em nossa cidade. Nesse jornal mesmo vemos notícias constantes de amontoados de lixos nos quatro cantos de Ituiutaba – e isso não é mérito somente da nossa cidade, mas comportamento recorrente no Brasil inteiro. No entanto o que me chama a atenção é que muitos dos objetos que são “jogados” em terrenos baldios e beiras de estradas são objetos que poderiam ser úteis a outras pessoas. Um sofá, por exemplo, reformado, reparado, consertado, restaurado (e não importa o verbo utilizado) poderia servir a outras pessoas, assim como uma cama, ou uma mesa, para não falar de uma televisão ou um fogão.

É interessante o fato de que em muito pouco tempo assimilamos o comportamento de valorizar o que é novo e desfazemos do que já foi usado. E digo “em muito pouco tempo”, pois há nem tanto tempo assim minha avó ensinou o valor das coisas aos seus netos, o valor da reutilização e do reaproveitamento delas. Poucas coisas das mãos da minha avó tiveram como destino a lixeira.

Lançar mão do “jogar fora” está nos levando a uma situação complicada porque, de um lado, extraímos recursos naturais para a produção dos bens de consumo e de outro, os “jogamos fora” indiscriminadamente. De uma maneira alegórica, estamos apenas transferindo as montanhas de lugar e modificando sua qualidade. O que outrora era composto de riquezas naturais passa agora a ser de “lixo”, um monte de resíduos misturados, sujo, fedido, porém com uma riqueza enorme camuflada como “o que não presta mais”.

É hora SEMPRE de repensar aquela nova compra, de se perguntar sobre sua real e devida necessidade. É hora de se perguntar o que tem na sua lixeira. É hora de se perguntar se aquela roupa, aquele sapato, aquela poltrona, aquele liquidificador, aquele secador de cabelo ou o que quer que seja que possa estar, num primeiro momento, estragado, pode ter conserto, reparo, reforma, restauração. E claro que Ituiutaba merece um desses centros lindos que vemos por aí, mundo afora, que emprega gente, que proporciona renda e definitivamente, agrega valor – estético e funcional ao que seria apenas “lixo”.

Está na hora de pensar a respeito e para isso convido a todos a se sentirem parte da Plataforma Ituiutaba Lixo Zero. Colabore com o debate, proponha temas para a coluna, comente o blog e contribua! Esperamos por vocês.